Palestra sobre saúde mental promovida por projeto de extensão do Câmpus V encerra programação alusiva ao 8 de março

12 de março de 2026

Encerrando a programação alusiva ao Dia Internacional da Mulher no Câmpus V da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o projeto de extensão “Promoção da Saúde Mental na Universidade: ações e estratégias de apoio ao bem-estar dos discentes” (PROEX/UEPB/LABEGI) promoveu, na manhã desta quinta-feira (12), a palestra “O essencial é invisível aos olhos: uma conversa sobre saúde mental na Universidade”, realizada no Auditório Pioneiros. A atividade foi ministrada pela psicóloga e docente do Departamento de Psicologia e do Mestrado em Psicologia da Saúde da UEPB, Josevânia Silva, .

Durante a abertura da atividade, a coordenadora do Projeto, professora Andrea Xavier,  destacou que a universidade é um espaço de construção de sonhos, mas também um ambiente que precisa olhar com mais atenção para o sofrimento psicológico que atinge a comunidade acadêmica. Segundo a professora, o Projeto surge justamente da necessidade de fortalecer uma cultura institucional de cuidado e escuta.

A docente ressaltou que transtornos mentais comuns, como ansiedade, depressão, insônia e transtornos alimentares, têm se tornado cada vez mais frequentes no ambiente universitário, impactando diretamente a qualidade de vida e o processo de aprendizagem. De acordo com ela, o sofrimento psíquico também pode se manifestar por meio de sintomas físicos, como palpitação, sudorese e sensação de frio nas mãos. “Essas experiências podem acontecer com qualquer pessoa. Muitas vezes sentimos ansiedade, desânimo ou cansaço e achamos que estamos sozinhos, mas não estamos. Precisamos criar espaços de fala e acolhimento para que as pessoas se sintam seguras para buscar ajuda”, destacou.

Andrea Xavier também explicou que a saúde mental deve ser compreendida como um fenômeno multifatorial, resultado da interação entre fatores sociais, biológicos, psicológicos, emocionais e ambientais. Nesse sentido, o ambiente universitário pode tanto contribuir para o bem-estar quanto se tornar um espaço potencialmente adoecedor, dependendo das relações e das condições que ali se estabelecem.

“A saúde mental está muito ligada à forma como nos relacionamos, à maneira como nos comunicamos e às condições do contexto em que estamos inseridos. A universidade é um espaço onde construímos relações e passamos grande parte da nossa vida. Por isso, precisamos olhar para esse ambiente e discutir essas questões sempre que possível”, pontuou.

Na sequência, a professora Josevânia Silva conduziu sua palestra inspirada na obra O Pequeno Príncipe, utilizando elementos da narrativa para refletir sobre subjetividade, relações humanas e saúde mental. Durante a apresentação, a docente discutiu o conceito de felicidade ético-política, que relaciona o bem-estar individual às condições sociais e à dignidade humana.

Segundo a professora, saúde mental não pode ser compreendida apenas como um estado emocional individual, mas deve ser analisada à luz das condições de vida das pessoas. “Para muita gente, saúde mental é ter o que comer, conseguir pagar as contas, ter acesso a tratamento de saúde, poder descansar e viver para além do trabalho”, afirmou.

A docente destacou que muitas vezes o adoecimento psicológico está ligado a rotinas exaustivas e a contextos sociais que produzem sofrimento coletivo. “Às vezes se diz que o indivíduo adoeceu, mas precisamos perguntar: que lógica é essa que adoeceu não apenas uma pessoa, mas várias ao mesmo tempo?”, questionou.

Durante a palestra, Josevânia também abordou o conceito de sofrimento ético-político, formulado pela psicóloga social Bader Sawaia, que compreende o sofrimento humano como resultado de injustiças sociais e de experiências de desvalorização, subalternidade e humilhação.

Entre os fatores que podem intensificar o sofrimento psíquico no ambiente universitário, a professora destacou elementos como a positividade tóxica, a pressão por produtividade constante, a comparação social, entre outros fatores. Também foram mencionadas dificuldades como conciliar trabalho e estudo, viver longe da família e enfrentar a ausência de redes de apoio. “Cada pessoa tem uma travessia muito particular. Precisamos reconhecer essas diferenças e compreender que o sofrimento muitas vezes está ligado às condições sociais e às relações que construímos ao longo da vida”, afirmou.

A atividade reforçou a importância de ampliar o debate sobre saúde mental no ensino superior, estimulando a criação de espaços de escuta, acolhimento e reflexão na universidade.

Texto e fotos: Juliana Marques.