Câmpus V da UEPB promove ato no Banco Vermelho e recebe exposição “Mulheres que escrevem a Justiça”

12 de março de 2026

O Câmpus V da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), por meio do Centro de Ciências Biológicas e Sociais Aplicadas (CCBSA), promoveu, entre os dias 10 e 12 de março, uma programação especial alusiva ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. As atividades reuniram momentos de acolhimento, reflexão e mobilização em torno do enfrentamento à violência contra a mulher e da valorização da participação feminina nos espaços institucionais e acadêmicos.

A programação teve início no dia 10 de março, com um café da manhã dedicado às servidoras do CCBSA, realizado no prédio administrativo do câmpus. O momento foi marcado pela integração e pelo reconhecimento da contribuição das mulheres que atuam no cotidiano da instituição.

Já na manhã desta terça-feira (11), foi realizado um ato simbólico no Banco Vermelho, instalado no Câmpus V em agosto de 2024 como símbolo de enfrentamento à violência contra a mulher. Durante a atividade, foi inaugurado um QR Code fixado no local, que disponibiliza informações adicionais sobre a iniciativa e indica canais de orientação e apoio a mulheres em situação de violência.

A diretora do CCBSA, professora Brígida Lucena, destacou a importância de iniciativas institucionais que ampliem o debate e a conscientização sobre a violência de gênero. Segundo ela, ações como o Banco Vermelho fortalecem o compromisso da universidade com a promoção de uma cultura de respeito e com a defesa dos direitos das mulheres, além de incentivar a mobilização da comunidade acadêmica em torno do tema. A gestora também elogiou a realização da exposição da Biblioteca Itinerante “Mulheres que escrevem a Justiça”, ressaltando que iniciativas desse tipo contribuem para valorizar a produção intelectual feminina e dar visibilidade às reflexões e pesquisas desenvolvidas por mulheres em diferentes áreas do conhecimento.

Também participaram da atividade o coordenador do curso de Direito do CCBSA, professor Germano Ramalho, e a juíza Ana Amélia Andrade Alecrim Câmara. Durante o evento, Germano Ramalho ressaltou a importância da presença feminina nos espaços de decisão e destacou a necessidade de equilíbrio nas estruturas institucionais. O docente também enfatizou o papel dos homens no enfrentamento à violência contra as mulheres, defendendo maior engajamento masculino nessa luta.

A programação do dia 11 incluiu ainda a abertura da exposição da Biblioteca Itinerante “Mulheres que escrevem a Justiça”, instalada no hall da Central de Aulas do CCBSA. A iniciativa é promovida pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, por meio do Comitê de Incentivo à Participação Institucional Feminina, presidido pela desembargadora Maria de Fátima Bezerra Maranhão, e conta com o apoio do curso de Direito do CCBSA.

De acordo com a juíza Ana Amélia Andrade Alecrim Câmara, integrante do comitê, a Biblioteca Itinerante foi idealizada para divulgar a produção intelectual de mulheres que atuam em diferentes áreas do sistema de justiça e da academia. A mostra reúne cerca de 60 obras escritas por magistradas, promotoras, defensoras públicas, advogadas, delegadas, servidoras e pesquisadoras, incluindo publicações de autoras vinculadas ao Câmpus V.

 

Segundo a magistrada, o projeto integra o eixo de educação do comitê e busca incentivar mulheres a publicarem suas reflexões e ocuparem com protagonismo os espaços acadêmicos e institucionais. “A ideia é disseminar a produção intelectual feminina e fortalecer a presença das mulheres na academia, nas universidades e nas instituições, ampliando sua participação nos espaços de decisão”, explicou.

Entre as obras expostas, há publicações sobre diferentes temas, incluindo direitos humanos, sistema prisional e violência de gênero. Um dos destaques da mostra é a seção dedicada a estudos sobre o protocolo de julgamento com perspectiva de gênero, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orienta magistrados a considerar marcadores sociais como gênero, raça e classe nas decisões judiciais, buscando promover maior equidade.

Ao comentar a importância de iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, a juíza destacou a necessidade de mobilização coletiva diante do crescimento dos casos de violência doméstica. “São dados alarmantes e toda a sociedade precisa se mobilizar. Parcerias com a academia são fundamentais para fortalecer a educação para os direitos e ampliar a conscientização sobre a gravidade desse problema”, afirmou.

A programação reforça o compromisso da universidade com a promoção de ações educativas e de sensibilização voltadas à equidade de gênero e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

Texto e fotos: Juliana Marques