{"id":8587,"date":"2021-03-19T18:31:17","date_gmt":"2021-03-19T18:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.interno.uepb.edu.br\/?p=59166"},"modified":"2021-03-19T18:31:17","modified_gmt":"2021-03-19T18:31:17","slug":"dia-internacional-de-combate-a-discriminacao-racial-uepb-e-espaco-de-diversas-acoes-relacionadas-a-tematica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ch\/dia-internacional-de-combate-a-discriminacao-racial-uepb-e-espaco-de-diversas-acoes-relacionadas-a-tematica-2\/","title":{"rendered":"Dia Internacional de combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial: UEPB \u00e9 espa\u00e7o de diversas a\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 tem\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>Cursos de especializa\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento, n\u00facleos de estudo, eventos, produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, projetos de pesquisa e extens\u00e3. S\u00e3o muitas as iniciativas que fazem parte do cotidiano da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB) e que contribuem para a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a tem\u00e1tica e o enfrentamento do racismo. Neste 21 de mar\u00e7o, Dia Internacional de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, a UEPB apresenta um balan\u00e7o de algumas a\u00e7\u00f5es realizadas nos diversos Centros da Institui\u00e7\u00e3o com a vertente racial, buscando, sobretudo, enfrentar o racismo, as desigualdades, os preconceitos e as intoler\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Prestes a completar 15 anos desde que foi implantado no C\u00e2mpus I da UEPB, o N\u00facleo de Estudos Afro-brasileiros e Ind\u00edgenas (Neab-\u00ed) \u00e9 uma dessas iniciativas articuladora de eventos, cursos e discuss\u00f5es voltadas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es negras, quilombolas e ind\u00edgenas. O N\u00facleo re\u00fane pesquisadores da Institui\u00e7\u00e3o que desenvolvem diversos estudos e projetos relacionados \u00e0 tem\u00e1tica racial. As iniciativas do Neab-\u00ed s\u00e3o consideradas importantes por ajudarem a desnaturalizar e desconstruir o racismo em uma sociedade em que esta \u00e9 uma quest\u00e3o estrutural.<\/p>\n<p>Muitas das a\u00e7\u00f5es do N\u00facleo foram realizadas a partir do que consta nas leis federais 10.639\/2003 e 11.645\/2008, que regulamentam o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, p\u00fablicas e particulares, do Ensino Fundamental at\u00e9 o Ensino M\u00e9dio. A professora do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o, Margareth Maria de Melo, \u00e9 integrante do Neab-\u00ed e estuda, desde 2007, a quest\u00e3o afro-brasileira e, partir de 2011, passou a desenvolver pesquisas sobre a quest\u00e3o negra no livro did\u00e1tico. A tese de doutorado de Margareth, \u201cGerando Eus, Tecendo Redes e Tran\u00e7ando N\u00f3s: Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais na Forma\u00e7\u00e3o de Professores\u201d, suscita reflex\u00f5es relacionadas \u00e0 forma como docentes e estudantes negras se sentem no cotidiano dos cursos de Pedagogia e enfocam a tem\u00e1tica afro-brasileira nas suas redes de conhecimentos, pr\u00e1ticas e rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje docente da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Par\u00e1 (Unifesspa), em Marab\u00e1 (PA), vinculado ao N\u2019ubuntu, n\u00facleo com atua\u00e7\u00e3o semelhante ao Neab-\u00ed, o egresso da gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UEPB, Jana\u00edlson Mac\u00eado, relembra o per\u00edodo de funda\u00e7\u00e3o do Neab-\u00ed, quando ele atuava no N\u00facleo, e evidencia a import\u00e2ncia do trabalho empreendido pelo grupo para sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPor interm\u00e9dio das a\u00e7\u00f5es desenvolvidas no N\u00facleo pude, inicialmente, repensar a minha pr\u00f3pria identidade enquanto negro, algo que pouco problematizava durante os anos iniciais de vida. Al\u00e9m disso, apesar de j\u00e1 ter percebido a exist\u00eancia do racismo e t\u00ea-lo vivenciado, ainda n\u00e3o tinha o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que mostrassem outras perspectivas, como a riqueza de experi\u00eancias humanas constru\u00eddas durante a hist\u00f3ria da \u00c1frica, bem como da hist\u00f3ria das popula\u00e7\u00f5es negras no Brasil. Ent\u00e3o, acredito que N\u00facleos como o Neab-\u00ed possibilitam que agendas de transforma\u00e7\u00e3o social, como as que s\u00e3o defendidas h\u00e1 d\u00e9cadas pelo movimento negro, possam n\u00e3o somente adentrar a academia, como tamb\u00e9m chegar, por interm\u00e9dio dela, a outros espa\u00e7os, em especial \u00e0s escolas e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d, destaca Jana\u00edlson.<\/p>\n<p>Em 2013, o Neab-\u00ed passou a atuar tamb\u00e9m no C\u00e2mpus de Guarabira, onde tem empreendido diversas a\u00e7\u00f5es. Um dos fundadores do Neab-\u00ed no Centro de Humanidades (CH) \u00e9 o professor Waldeci Ferreira Chagas, que leciona Hist\u00f3ria da \u00c1frica e Ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-brasileira e Ind\u00edgena no curso de Hist\u00f3ria. O docente, que, paralelo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica tamb\u00e9m pode desenvolver-se sob o ponto de vista pol\u00edtico e cidad\u00e3o ao integrar o movimento negro no qual atua desde 1987, passou a lutar contra o racismo utilizando o poder da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca no curso de Hist\u00f3ria n\u00e3o havia discuss\u00e3o sobre racismo, ra\u00e7a, preconceito racial, eu tive acesso a essas discuss\u00f5es atrav\u00e9s do Movimento Negro Unificado, cujo coordenador era Jo\u00e3o Balula (j\u00e1 falecido). Em 1991 comecei a ensinar Hist\u00f3ria na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e levei para a sala de aula a discuss\u00e3o sobre racismo e preconceito contra pessoas negras. Nem sempre essa pauta era bem-vinda, mas possibilitava aos meninos e meninas a discuss\u00e3o, na perspectiva de que se colocassem frente ao racismo. Assim eu comecei a trabalhar e discutir racismo em sala de aula. Em 1999 ingressei na UEPB, como Professor do Curso de Hist\u00f3ria e em 2000 passei a lecionar Hist\u00f3ria da \u00c1frica. O contato com essa mat\u00e9ria me possibilitou solidificar a tem\u00e1tica racial como tema de pesquisa e estudo, visto que j\u00e1 fazia parte da minha vida como cidad\u00e3o negro que sou\u201d, lembra Waldeci.<\/p>\n<p>O Centro de Humanidades tamb\u00e9m sedia o curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o \u00c9tnico-racial na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, que est\u00e1 com a terceira turma em andamento, prevista para conclus\u00e3o em meados deste ano. Essa iniciativa, que possibilita o conhecimento de quest\u00f5es relacionadas \u00e0s heran\u00e7as africanas presentes no cotidiano dos brasileiros, busca colaborar com o desenvolvimento dos docentes, no sentido de auxiliar crian\u00e7as e jovens na constru\u00e7\u00e3o de suas identidades \u00e9tnico-raciais, descolonizando o curr\u00edculo escolar e reinventando as imagens da cultura afro-brasileira. No c\u00e2mpus de Guarabira foi ofertado ainda o curso de especializa\u00e7\u00e3o em Cultura e Literatura Afro-brasileira e Africana, al\u00e9m de diversos eventos e a\u00e7\u00f5es de pesquisa e extens\u00e3o.<\/p>\n<p>No campo da pesquisa tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00e1rios projetos empreendidos nos diversos centros e departamentos da Institui\u00e7\u00e3o que englobam as quest\u00f5es de ra\u00e7a. De acordo com a lista de projetos aprovados na cota 2020\/2021 do Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (PIBIC), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), a UEPB conta com projetos que discutem tem\u00e1ticas raciais coordenados por pesquisadores de \u00e1reas como Hist\u00f3ria, Educa\u00e7\u00e3o, Direito, Servi\u00e7o Social.<\/p>\n<p><strong>Cotas raciais<\/strong><br \/>Recentemente, a UEPB, que conta com cotas sociais desde 2006, iniciou uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es no sentido de ampliar a inclus\u00e3o social proporcionada pela pol\u00edtica de reserva de vagas agregando um sistema de cotas raciais. Atualmente, de acordo com a <strong>Resolu\u00e7\u00e3o\/UEPB\/CONSEPE\/058\/2014<\/strong>, 50% das vagas dos cursos de bacharelado s\u00e3o reservadas para estudantes oriundos de escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A estudante de Psicologia, Danielly Scalone, que integra a comiss\u00e3o que discute a implanta\u00e7\u00e3o das cotas raciais na Universidade, destaca que a UEPB possui uma importante fun\u00e7\u00e3o social, que vai al\u00e9m do seu papel de forma\u00e7\u00e3o. \u201cAtrav\u00e9s do trip\u00e9 de ensino, pesquisa e extens\u00e3o e seu poder de articula\u00e7\u00e3o, acredito que a UEPB possa atualizar suas pol\u00edticas de acesso, perman\u00eancia e assist\u00eancia para contribuir com a forma\u00e7\u00e3o de mulheres negras, e a aceita\u00e7\u00e3o delas nos mais diversos espa\u00e7os\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Com essa perspectiva a UEPB, que hoje conta com uma mulher negra no cargo de vice-reitora, a professora Ivonildes Fonseca, tem empreendido diversos esfor\u00e7os considerando, inclusive que as pautas sociais s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o da atual gest\u00e3o. Nesse sentido, uma comiss\u00e3o formada por estudantes, t\u00e9cnicos administrativos e docentes da Institui\u00e7\u00e3o, e representantes dos diversos setores de administrativos, reuniu-se nesta sexta (19), para aprofundar o debate sobre as cotas raciais e futuras a\u00e7\u00f5es a serem implementadas na UEPB. A perspectiva \u00e9 que, al\u00e9m das cotas sociais para estudantes de escolas p\u00fablicas, a Universidade Estadual tamb\u00e9m possa ofertar vagas exclusivas para pessoas negras, quilombolas, ciganos e povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><em><strong>Texto: <\/strong>Juliana Marques<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cursos de especializa\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento, n\u00facleos de estudo, eventos, produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, projetos de pesquisa e extens\u00e3. S\u00e3o muitas as iniciativas que fazem parte do cotidiano da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB) e que contribuem para a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a tem\u00e1tica e o enfrentamento do racismo. 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