{"id":172,"date":"2017-03-09T20:26:59","date_gmt":"2017-03-09T20:26:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uepb.edu.br\/?p=32024"},"modified":"2017-10-10T14:09:38","modified_gmt":"2017-10-10T14:09:38","slug":"primeira-etapa-do-encontro-de-sanfoneiros-e-tocadores-de-fole-de-oito-baixos-e-realizada-em-araruna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccts\/primeira-etapa-do-encontro-de-sanfoneiros-e-tocadores-de-fole-de-oito-baixos-e-realizada-em-araruna\/","title":{"rendered":"Primeira etapa do Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos \u00e9 realizada em Araruna"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32026 img-responsive img-responsive\" src=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" srcset=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2.jpg 840w, http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2-300x162.jpg 300w, http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2-768x415.jpg 768w, http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2-370x200.jpg 370w\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"454\" data-attachment-id=\"32026\" data-permalink=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/primeira-etapa-do-encontro-de-sanfoneiros-e-tocadores-de-fole-de-oito-baixos-da-paraiba-e-realizada-em-araruna\/sanfoneiros-2\/\" data-orig-file=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2.jpg\" data-orig-size=\"840,454\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;4.3&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;COOLPIX L810&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1488989685&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;13.9&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;400&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Sanfoneiros 2\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2-300x162.jpg\" data-large-file=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sanfoneiros-2.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Come\u00e7ou na manh\u00e3 desta quarta-feira (8), em Araruna, a primeira etapa do 1\u00ba Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos da Para\u00edba, uma realiza\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB). Bastante prestigiado pela comunidade local e de \u00e1reas circunvizinhas, o evento foi sediado no audit\u00f3rio C\u00e2mpus VIII da UEPB e contou com uma grande programa\u00e7\u00e3o que aconteceu por todo o dia.<\/p>\n<p>O Encontro teve in\u00edcio logo no hall do Audit\u00f3rio do C\u00e2mpus, quando a plateia e os sanfoneiros foram recebidos pelos emboladores de coco, Fredi Guimar\u00e3es e Can\u00e1rio do Imp\u00e9rio. A primeira etapa da iniciativa teve a inscri\u00e7\u00e3o de 24 sanfoneiros de v\u00e1rias regi\u00f5es do entorno de Araruna, a exemplo de Passa e Fica (RN) e Barra de Santa Rosa (PB), com uma faixa et\u00e1ria que compreendia dos 11 aos 90 anos. Al\u00e9m disso, o evento chamou a aten\u00e7\u00e3o dos estudantes, professores e funcion\u00e1rios do Campus, que tamb\u00e9m estiveram presentes \u00e0s atividades.<\/p>\n<p>Na solenidade de abertura estavam o diretor do Centro de Ci\u00eancias, Tecnologia e Sa\u00fade (CCTS), Manuel Ant\u00f4nio Gord\u00f3n Nunez, o vice-diretor, Leidimar Bezerra, o pr\u00f3-reitor de Cultura da UEPB, Jos\u00e9 Crist\u00f3v\u00e3o de Andrade, o pr\u00f3-reitor adjunto de Cultura, Jos\u00e9 Benjamim Pereira Filho e o coordenador local do evento, Lino Sapo. Mais tarde, o prefeito de Araruna, Vital Costa, incorporou-se \u00e0 plateia.<\/p>\n<p>Em suas falas, o diretor e o vice-diretor do c\u00e2mpus deram as boas-vindas aos participantes e externaram sua satisfa\u00e7\u00e3o ao receberem a primeira etapa do projeto. \u201c\u00c9 uma felicidade para n\u00f3s proporcionar esse interc\u00e2mbio de saberes, reunindo aqui em Araruna lideran\u00e7as da cultura popular e mostrando que a Universidade reconhece a valoriza o papel de destaque que elas t\u00eam\u201d, apontou Manuel Ant\u00f4nio Gord\u00f3n Nunez.<\/p>\n<p>Leidimar Bezerra destacou que a m\u00fasica genu\u00edna da Para\u00edba est\u00e1 profundamente enraizada nessas manifesta\u00e7\u00f5es, as quais possuem os sanfoneiros como mestres maiores. \u201cArte e vida se misturam em uma oportunidade em que todos os conhecimentos est\u00e3o integrados e dialogam\u201d, afirmou. J\u00e1 o coordenador local do evento, Lino Sapo, ressaltou que esse projeto da UEPB tem uma import\u00e2ncia enorme, porque faz a Institui\u00e7\u00e3o chegar aonde nunca havia chegado, enaltecendo artistas que em muitos casos trabalham sem apoio.<\/p>\n<p>O pr\u00f3-reitor Jos\u00e9 Crist\u00f3v\u00e3o de Andrade, em seu discurso da abertura, endossou que a cultura popular no Brasil tem uma relev\u00e2ncia tamanha que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dimensionar. \u201cCompreendemos quem est\u00e1 envolvido com a cultura de massas, mas \u00e9 nossa miss\u00e3o manter e preservar esse legado para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o podemos deixar que esse verdadeiro patrim\u00f4nio da est\u00e9tica regional se perca. A hist\u00f3ria brilhante desenhada pelos g\u00eanios do Nordeste, com seus ritos e talento precisa continuar, ser cada vez mais fortalecida, o povo precisa conhecer sempre mais. Por isso essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental e tamb\u00e9m porque permite um maior engajamento e articula\u00e7\u00e3o de todos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O pr\u00f3-reitor adjunto, Jos\u00e9 Benjamim Pereira Filho, ovacionado em seu discurso, pontuou que \u201ctoda a fama e gl\u00f3ria\u201d deveriam ser dadas aos sanfoneiros. \u201cOs sanfoneiros s\u00e3o a pe\u00e7a principal de todos os espet\u00e1culos, mas o reconhecimento inexiste, s\u00e3o injusti\u00e7ados. Recebem um cach\u00ea mixo e muitas vezes esperam meses para receber, sempre depois das \u2018grandes estrelas\u2019. O Brasil trata muito mal seus artistas da sanfona. Muitos vivem da agricultura, \u00e9 com suor que conseguem manter suas fam\u00edlias. \u00c9 lament\u00e1vel, porque deveriam ter direito a uma vida digna com seu of\u00edcio, deveriam conseguir viver exclusivamente por meio de seu instrumento, sem passar por essas situa\u00e7\u00f5es constrangedoras. O sanfoneiro \u00e9 a alma de toda festa nordestina, mas n\u00e3o recebe um tratamento honrado\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>Aula espet\u00e1culo, oficina e apresenta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o intervalo do almo\u00e7o, o Encontro deu prosseguimento a uma aula espet\u00e1culo e a uma oficina, ministradas por Luizinho Calixto, artista renomado na \u00e1rea da sanfona de oito baixos e professor do Centro Art\u00edstico-Cultural (CAC) da UEPB. Participaram da oficina o curador da \u00e1rea de m\u00fasica do Museu de Arte Popular da Para\u00edba (MAPP), Sandrinho Dupan, e os m\u00fasicos do Grupo de Tradi\u00e7\u00f5es Populares Acau\u00e3 da Serra, Erivan Ferreira e Erivelton da Cunha, tamb\u00e9m docentes do CAC. O diretor do Acau\u00e3, Agnaldo Barbosa, tamb\u00e9m participou auxiliando o evento.<\/p>\n<p>Na oportunidade, Luizinho fez uma explana\u00e7\u00e3o geral acerca dos instrumentos, forneceu detalhes acerca da afina\u00e7\u00e3o, deu dicas aos sanfoneiros e relatou algumas experi\u00eancias, a exemplo de quando se apresentou aos 15 anos para Luiz Gonzaga. Muitos sanfoneiros, ali\u00e1s, inscreveram-se no Encontro para conhecer Luizinho, j\u00e1 por sua fama entre os m\u00fasicos da sanfona.<\/p>\n<p>\u201cAo final da apresenta\u00e7\u00e3o para Luiz Gonzaga, ele me pagou, naquela \u00e9poca, com o equivalente a R$5 mil. Era muito dinheiro e fiquei surpreso, mas ele me disse, sorrindo, que comprasse um sapato. Minha m\u00e3e achou que ele tinha se enganado, que era melhor devolver, mas meu irm\u00e3o, Z\u00e9 Calixto, apaziguou as coisas dizendo que ele sabia o que estava fazendo\u201d, disse Luizinho.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, Sandrinho Dupan, que no final do ano passado ministrou oficinas de ritmos brasileiros na Alemanha, na Su\u00ed\u00e7a e na It\u00e1lia, relatou aos sanfoneiros que muito se fala sobre a morte do forr\u00f3, ou que o ritmo est\u00e1 enfraquecendo, mas que isso n\u00e3o condiz com a realidade. \u201cS\u00f3 em 2017 est\u00e3o previstos 39 festivais de forr\u00f3 em toda Europa. Eu estava em Zurique e ouvi uma m\u00fasica de Zito Borborema, que, como diz Biliu de Campina, \u00e9 a pr\u00e9-hist\u00f3ria do forr\u00f3. N\u00e3o pedi essa m\u00fasica, n\u00e3o foi por minha presen\u00e7a ali. Ent\u00e3o, podem ter certeza, o forr\u00f3 est\u00e1 tomando conta do mundo\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a aula espet\u00e1culo e a oficina, cada sanfoneiro escolheu uma ou duas m\u00fasicas de sua predile\u00e7\u00e3o, sendo algumas autorais, para se apresentar no palco do audit\u00f3rio com Sandrinho, Erivan e Erivelton. Muitos externaram o desejo de tocar uma delas com Luizinho Calixto, que prontamente os atendia. Finalizando o evento, todos os integrantes foram para uma apresenta\u00e7\u00e3o final no antigo Mercado P\u00fablico de Araruna, que, restaurado, hoje \u00e9 palco de atividades culturais.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Organizadora do Encontro agradece a Prefeitura Municipal de Araruna, a Roberto Sanfoneiro e a Nilson Santos, da R\u00e1dio Serrana de Araruna.<\/p>\n<p><strong>Vida de Sanfoneiro<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira etapa do 1\u00ba Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos da Para\u00edba uma verdade que j\u00e1 se adivinhava ficou muito clara: a maioria dos sanfoneiros que estiveram no evento lidou com uma inf\u00e2ncia de pobreza e precisou abandonar os estudos muito cedo para trabalhar no campo. \u00c9 o que narrou, por exemplo, o mais velho participante do Encontro. Abra\u00e3o Bas\u00edlio Bezerra, de 90 anos, conhecido como \u201cSeu Cabral\u201d, \u00e9 de Barra de Santa Rosa (PB) e deixou a escola na primeira s\u00e9rie. Trabalhou na ro\u00e7a por muito tempo, mas a vida s\u00f3 come\u00e7ou a melhorar um pouco, quando, sozinho, aprendeu a tocar sanfona.<\/p>\n<p>\u201cFoi um dom que Deus me deu, porque ningu\u00e9m nunca me disse como era que fazia\u201d, disse. Seu Cabral estava ansioso para se apresentar, levantava da cadeira na plateia, voltava ao lugar, ia l\u00e1 fora. \u201cQuero mostrar que toco muito, s\u00f3 as mais dif\u00edceis de tirar\u201d, explicou, antes de subir ao palco. E o audit\u00f3rio de Araruna veio abaixo quando ele come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Com 12 filhos e 45 netos ele disse que por muito tempo sustentou a fam\u00edlia com o pouco dinheiro que ganhava na ro\u00e7a. \u201cEu comprava p\u00e3o uma vez por semana. Era um p\u00e3o para dividir para tr\u00eas pessoas. Quando comecei a tocar foram surgindo convites para me apresentar em muitos lugares, em r\u00e1dios e festas e isso foi me ajudando. N\u00e3o pretendo parar de tocar. No dia que precisar parar, n\u00e3o saio mais de casa\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria parecida com a de Seu Cabral \u00e9 a de Ant\u00f4nio de Lima Fernandes, 68, morador de Araruna. \u201cEstudei at\u00e9 a terceira s\u00e9rie, mas precisei trabalhar cedo no campo. Comecei a tocar sanfona porque meu pai achava bonito quem tocava e comprou uma para mim. Infelizmente, semanas depois da minha primeira apresenta\u00e7\u00e3o ele morreu. Mas pelo menos me viu tocar, n\u00e9? Teve essa satisfa\u00e7\u00e3o. E eu segui tocando. A sanfona se transformou numa profiss\u00e3o muito boa. Mesmo n\u00e3o sendo muito, ganhei mais dinheiro com ela do que com a enxada. Na \u00e9poca de S\u00e3o Jo\u00e3o e campanha pol\u00edtica principalmente, porque aumenta o n\u00famero de convites para se apresentar\u201d, contou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m como Seu Cabral, Ant\u00f4nio acredita que saber tocar sanfona \u00e9 um presente, uma propens\u00e3o inata. \u201cAprendi sozinho e tentei ensinar aos meus filhos e netos, mas nenhum \u00e9 sanfoneiro como eu. At\u00e9 me esforcei, mas parece que os dedos deles n\u00e3o acertam\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Veja mais fotos <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.1294805667275878.1073741849.205080589581730&amp;type=1&amp;l=8e4dd8f273\">AQUI<\/a>.<br \/>\n<em><strong>Texto:<\/strong> Oziella Inoc\u00eancio<\/em><br \/>\n<em><strong>Fotos:<\/strong> Hugo Tabosa, Oziella Inoc\u00eancio e Sandrino Dupan<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come&ccedil;ou na manh&atilde; desta quarta-feira (8), em Araruna, a primeira etapa do 1&ordm; Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos da Para&iacute;ba, uma realiza&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual da Para&iacute;ba (UEPB). 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