{"id":7708,"date":"2021-06-29T19:02:34","date_gmt":"2021-06-29T19:02:34","guid":{"rendered":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/?p=7708"},"modified":"2021-06-30T11:04:35","modified_gmt":"2021-06-30T11:04:35","slug":"situacao-dos-venezuelanos-na-paraiba-e-tema-de-pesquisas-desenvolvidas-no-curso-de-relacoes-internacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/situacao-dos-venezuelanos-na-paraiba-e-tema-de-pesquisas-desenvolvidas-no-curso-de-relacoes-internacionais\/","title":{"rendered":"Situa\u00e7\u00e3o dos venezuelanos na Para\u00edba \u00e9 tema de pesquisas desenvolvidas no curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais"},"content":{"rendered":"<p>Conte\u00fado de componentes curriculares da gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, tem\u00e1tica de projetos de pesquisa e extens\u00e3o, a acolhida aos refugiados tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o latente nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB). E a partir do conhecimento desenvolvido por pesquisadores da Institui\u00e7\u00e3o sobre o tema, diversos estigmas sociais associados a esse p\u00fablico, que s\u00e3o propagados atrav\u00e9s da desinforma\u00e7\u00e3o, podem ser desconstru\u00eddos e, embora este n\u00e3o seja o objetivo principal destas iniciativas, configura-se como um desdobramento do trabalho realizado no ensino, pesquisa e extens\u00e3o.<\/p>\n<p>O N\u00facleo de Estudo e Pesquisa sobre Deslocados Ambientais (NEPDA) foi criado em 2012 e, desde 2014, conta com a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello (CSVM) a ele vinculada, fruto da parceria entre UEPB e Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR). O referido N\u00facleo da UEPB atua no sentido de aglutinar pesquisadores locais, nacionais e internacionais interessados na problem\u00e1tica dos deslocados ambientais e tem desenvolvido grande parte destas iniciativas no \u00e2mbito institucional, atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o de livros, artigos e disserta\u00e7\u00f5es, teses e demais pesquisas acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da extens\u00e3o o projeto \u201cEnsino do Portugu\u00eas como L\u00edngua de Acolhimento para Refugiados e Solicitantes de Ref\u00fagio Venezuelanos na Para\u00edba\u201d, coordenado pelas professoras Andrea Pac\u00edfico e M\u00f4nica Santana, com a participa\u00e7\u00e3o de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UEPB, conta com diversas atividades, como a oferta de aulas de portugu\u00eas para imigrantes venezuelanos e a publica\u00e7\u00e3o do e-book \u201cPortugu\u00eas como l\u00edngua de acolhimento (PLAc)\u201d (<a href=\"http:\/\/eduepb.uepb.edu.br\/download\/portugues-como-lingua-de-acolhimento\/?wpdmdl=817&amp;masterkey=5d5d6526cc496\">http:\/\/eduepb.uepb.edu.br\/download\/portugues-como-lingua-de-acolhimento\/?wpdmdl=817&amp;masterkey=5d5d6526cc496<\/a>) ,pela Editora da UEPB (EDUEPB).<\/p>\n<p>O livro re\u00fane no\u00e7\u00f5es de gram\u00e1tica, documenta\u00e7\u00e3o, dicas relacionadas a quest\u00f5es socioculturais do Brasil, entre outros temas, conte\u00fado utilizado no acompanhamento dos imigrantes das Aldeias SOS de Jo\u00e3o Pessoa, visitadas uma vez por semana por integrantes do projeto. A graduanda do 7\u00ba per\u00edodo de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Mariana Teixeira, que atuou como volunt\u00e1ria do PLAc, destaca a import\u00e2ncia desse trabalho.<\/p>\n<p>\u201cNossa inten\u00e7\u00e3o era contribuir com a inclus\u00e3o desses imigrantes. Considerando que eles tinham pressa em aprender, buscamos desenvolver um conte\u00fado o mais pr\u00e1tico poss\u00edvel para que eles pudessem ter condi\u00e7\u00f5es de locomo\u00e7\u00e3o, trabalho, acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade\u00a0 e educa\u00e7\u00e3o. E durante nossas atividades pudemos presenciais nossas expectativas e as deles sendo alcan\u00e7adas. Para mim esse projeto trouxe n\u00e3o apenas frutos acad\u00eamicos, com a publica\u00e7\u00e3o de artigos, banners, mas, crescimento pessoal\u201d, avaliou a estudante.<\/p>\n<p>A mestre em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela UEPB, Sarah Silva, que apresentou a disserta\u00e7\u00e3o com o tema \u201cA integra\u00e7\u00e3o local dos migrantes for\u00e7ados venezuelanos na Para\u00edba (2018 \u2013 2020)\u201d, e que tamb\u00e9m atuou como monitora do PLAc, destaca que o trabalho junto aos venezuelanos possibilitou o entendimento de que era necess\u00e1rio pesquisar sobre os aspectos da integra\u00e7\u00e3o local destas pessoas no estado devido \u00e0s suas vulnerabilidades. \u201cTamb\u00e9m vi a import\u00e2ncia de entender como os atores locais (estado, munic\u00edpio, ONGs, academia) se articulavam para efetivar a integra\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico que adv\u00e9m de uma novidade para a Para\u00edba, que \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o internacional\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Para Sarah \u00e9 justamente a novidade relacionada \u00e0 chegada desse p\u00fablico ao Estado, associada \u00e0 uma onda de xenofobia, que vem das fronteiras e se espalha por todo o territ\u00f3rio nacional, por meio de not\u00edcias falsas ou sensacionalistas, e discursos de pol\u00edticos que se pautam no preconceito, que fomentam a desinforma\u00e7\u00e3o. Essa conjuntura repercute numa maior dificuldade deste p\u00fablico de se integrar \u00e0 sociedade e at\u00e9 em casos de viol\u00eancia e cultura de \u00f3dio. Em 2019, por exemplo, foi difundida uma informa\u00e7\u00e3o de que os casos de Mal\u00e1ria no munic\u00edpio do Conde, Para\u00edba, estavam relacionados \u00e0 chegada de Venezuelanos; tamb\u00e9m s\u00e3o difundidas constantemente informa\u00e7\u00f5es equivocadas de que os venezuelanos vieram para mendigar, aumentar a criminalidade no pa\u00eds ou roubar os empregos dos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante entender que estas pessoas est\u00e3o no pa\u00eds por quest\u00f5es de sobreviv\u00eancia, compreender a situa\u00e7\u00e3o real do Brasil diante deste fluxo e combater dados falsos. O Brasil \u00e9 o maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina e \u00e9 apenas o sexto da regi\u00e3o que mais recebe esses migrantes. A n\u00edvel nacional, essa desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 propagada pois favorece um discurso que coloca a quest\u00e3o migrat\u00f3ria como uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a e justifica medidas arbitr\u00e1rias para acabar com o fluxo. Na Para\u00edba, essa desinforma\u00e7\u00e3o pode ser fruto do desconhecimento da causa. Para combater esse tipo de vis\u00e3o distorcida \u00e9 necess\u00e1rio mostrar para a sociedade a real situa\u00e7\u00e3o. Neste sentido, pesquisas como as desenvolvidas na UEPB pelo NEPDA e pela C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello s\u00e3o fundamentais. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m que estes estudo n\u00e3o fiquem apenas na academia, que eles sejam difundidos pela comunidade e que cheguem tamb\u00e9m nos gestores estatais e municipais para servirem de base para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas assertivas\u201d, avalia Sarah Silva.<\/p>\n<p>A doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e que concluiu a pesquisa de p\u00f3s-doutorado no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UEPB, Fab\u00edola Dunda, tamb\u00e9m acredita que o desconhecimento sobre essa realidade nova faz com que seja difundida a desinforma\u00e7\u00e3o sobre os venezuelanos.<\/p>\n<p>\u201cNa minha pesquisa um dos aspectos destacado por um dos entrevistados \u00e9 o desconhecimento ou pouco conhecimento da popula\u00e7\u00e3o\/sociedade sobre os direitos dos venezuelanos. Iniciativas como a promo\u00e7\u00e3o de encontros entre venezuelanos e brasileiros atendidos na ONG Aldeias Infantis SOS (gastronomia, dan\u00e7as, h\u00e1bitos e costumes), por exemplo, s\u00e3o uma forma de difundir mais informa\u00e7\u00f5es sobre os migrantes venezuelanos interiorizados para Jo\u00e3o Pessoa, e essa troca entre os brasileiros e venezuelanos, contribui-se para aumentar a quest\u00e3o da toler\u00e2ncia pela diferen\u00e7a, al\u00e9m de diminuir atitudes xenof\u00f3bicas que possam existir\u201d, avalia Fab\u00edola Dunda.<\/p>\n<p>Uma das coordenadoras do NEPDA, professora Andrea Pac\u00edfico, lembra que existe um grupo de ind\u00edgenas venezuelanos da etnia Warao que s\u00e3o n\u00f4mades cuja cultura \u00e9 viver de coleta [mendic\u00e2ncia], mas, essa n\u00e3o \u00e9 realidade da maioria desta popula\u00e7\u00e3o de imigrantes da Venezuela. \u201cTemos venezuelanos na Para\u00edba com forma\u00e7\u00f5es desde o ensino fundamental at\u00e9 o superior. Tem profissionais como psic\u00f3logos, engenheiros, jornalistas, professores universit\u00e1rios, que vieram em busca de condi\u00e7\u00f5es dignas para viver\u201d, explica a docente.<\/p>\n<p>Atualmente a Para\u00edba conta com um p\u00fablico de mais de mil venezuelanos, mais da metade destes chegou ao pa\u00eds atrav\u00e9s do Programa Nacional de Interioriza\u00e7\u00e3o. Na UEPB, desde 2019 (RESOLU\u00c7\u00c3O\/UEPB\/CONSUNI\/0303\/2019) existe um programa voltado para o recebimento de pessoas na condi\u00e7\u00e3o de refugiados, ap\u00e1tridas e migrantes com visto tempor\u00e1rio de acolhida humanit\u00e1ria para os cursos de gradua\u00e7\u00e3o da Institui\u00e7\u00e3o. O ingresso desses estudantes ser\u00e1 d\u00e1 a partir de vagas remanescentes disponibilizadas pela Pr\u00f3-Reitoria de Gradua\u00e7\u00e3o (PROGRAD).<\/p>\n<p><em><strong>Texto:<\/strong> Juliana Marques<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conte\u00fado de componentes curriculares da gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, tem\u00e1tica de projetos de pesquisa e extens\u00e3o, a acolhida aos refugiados tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o latente nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB). 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