{"id":4513,"date":"2017-10-31T13:47:21","date_gmt":"2017-10-31T13:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/?p=4513"},"modified":"2017-10-31T13:58:42","modified_gmt":"2017-10-31T13:58:42","slug":"professor-enio-wocyli-e-escolhido-como-paraninfo-das-turmas-concluintes-2017-1-do-ccbsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/professor-enio-wocyli-e-escolhido-como-paraninfo-das-turmas-concluintes-2017-1-do-ccbsa\/","title":{"rendered":"Professor \u00canio Wocyli \u00e9 escolhido como paraninfo das turmas concluintes 2017.1 do CCBSA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/files\/2017\/10\/DSC08753.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4520 img-responsive\" src=\"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/files\/2017\/10\/DSC08753.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/files\/2017\/10\/DSC08753.jpg 840w, https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/files\/2017\/10\/DSC08753-300x162.jpg 300w, https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/files\/2017\/10\/DSC08753-768x415.jpg 768w, https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/files\/2017\/10\/DSC08753-370x200.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o realizada junto ao cerimonial da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB) no dia 26 de outubro, os formandos do per\u00edodo letivo 2017.1 do Campus V, escolheram o professor \u00canio Wocyli Dantas como paraninfo. O docente, que \u00e9 diretor adjunto do Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e Sociais Aplicadas (CCBSA), tamb\u00e9m atua no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Bot\u00e2nica da Universidade Federal Rural de Pernambuco e como colaborador do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade da Universidade Federal da Para\u00edba.<\/p>\n<p>Nascido em Parelhas (RN), ainda crian\u00e7a \u00canio foi morar em Nova Floresta, regi\u00e3o do Curimata\u00fa paraibano, distante 120 km da capital, Jo\u00e3o Pessoa. Filho de uma professora e um agricultor, sonhava em ser padre e bot\u00e2nico. Gostava de assistir programas de Ecologia e fazer experimentos com as plantas de casa, chegando a criar flores com cores diferentes, a partir de experi\u00eancias que pesquisava em livros.<\/p>\n<p>E foi por meio dos livros que ele conheceu o padre Gregor Mendel, considerado o pai da gen\u00e9tica, em quem passou a inspirar-se. A trajet\u00f3ria de Mendel tinha muitas semelhan\u00e7as com a vida do estudante nordestino. Al\u00e9m da identifica\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o de Mendel, nessa \u00e9poca, \u00canio tamb\u00e9m sonhava em ser padre.<\/p>\n<p>Seguiu estudando \u00e0 noite e trabalhando na planta\u00e7\u00e3o de dia. Apesar na rotina cansativa, era um bom aluno. As horas vagas eram dedicadas ao estudo na Biblioteca Municipal de Nova Floresta. Os familiares, que sempre o viam estudando, achavam que seria um desperd\u00edcio tentar outra profiss\u00e3o que n\u00e3o fosse de m\u00e9dico e se voltaram contra o menino que tinha convic\u00e7\u00e3o que seguiria a profiss\u00e3o de bi\u00f3logo. \u201cHavia um preconceito com a profiss\u00e3o de bi\u00f3logo, diziam que era coisa de gente que n\u00e3o presta\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Contrariando a vontade de parentes e amigos, \u00canio resolveu prestar vestibular para Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UEPB, sendo aprovado para o primeiro per\u00edodo. Vencido esse primeiro desafio, vinha mais um obst\u00e1culo: se manter em Campina Grande. Tinha uma tia na cidade, mas a mesma n\u00e3o o queria em casa por n\u00e3o aceitar sua escolha acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, um casal de conhecidos que trabalhavam em Cuit\u00e9 queria colocar o filho para estudar em Campina Grande, como forma de dar mais oportunidades de desenvolvimento ao garoto, que tinha cinco anos de idade, e passaria a viver em uma cidade maior, mas precisavam de algu\u00e9m que pudesse cuidar da crian\u00e7a. Ent\u00e3o, \u00canio passou a fazer a comida, lavar roupa e cuidar da crian\u00e7a em troca da hospedagem e da comida. Foi a forma que ele conseguiu para se manter.<\/p>\n<p><strong>Um mundo novo<\/strong><\/p>\n<p>A vinda para Campina Grande trouxe muitas novidades para a vida do jovem interiorano, que comeu o primeiro peda\u00e7o de pizza aos 18 anos de idade, que ficava fascinado ao ver uma escadaria, elevador ou escada rolante \u00e0 sua frente e aprendia aos poucos a viver em uma realidade bem diferente da qual estava acostumado.<\/p>\n<p>Com o tempo, o \u201cemprego\u201d de bab\u00e1 n\u00e3o deu mais certo, porque a crian\u00e7a era diab\u00e9tica e come\u00e7ou a apresentar problemas em seus exames, o que fez com que o acordo firmado entre os pais da crian\u00e7a e \u00canio fosse desfeito e mais uma vez o estudante ficou sem moradia. Passou a dormir nas prateleiras da biblioteca da UEPB, escondido dos funcion\u00e1rios. Rotina que n\u00e3o durou muito, porque foi logo descoberto.<\/p>\n<p>Passou por momentos de afli\u00e7\u00e3o. Um deles foi quando ao voltar da faculdade \u00e0 noite, foi confundido com um m\u00e9dico, por estar trajando jaleco branco, e foi obrigado a fazer o parto da mulher de um criminoso em numa casa que ficava no seu trajeto de retorno pra casa. \u201cMesmo com uma arma apontada para minha cabe\u00e7a eu procurei manter a tranquilidade e como no interior eu j\u00e1 tinha visto alguns partos, tentei lembrar como era e consegui realizar o procedimento\u201d, relembra. Ao se deparar com a emo\u00e7\u00e3o de carregar um beb\u00ea no colo, sob sua guarda e prote\u00e7\u00e3o, deixou de lado o sonho de ser padre, o substituindo pelo desejo de um dia viver novamente essa sensa\u00e7\u00e3o e ser pai.<\/p>\n<p>A rotina de aperto financeiro e dificuldade passou a mudar quando o estudante foi aprovado no Programa de Bolsa de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (PIBIC), no qual desenvolveu pesquisas na \u00e1rea de ecologia de algas, visando o Mestrado em Bot\u00e2nica. Estava no 5\u00ba per\u00edodo do curso, \u00e9poca em que contou com o apoio do atual vice-reitor da UEPB, professor Ethan Barbosa, hoje colega de trabalho de \u00canio, na \u00e9poca professor e orientador. \u201cNesse per\u00edodo, o or\u00e7amento melhorou. Dava pra pagar caf\u00e9, almo\u00e7o e jantar, al\u00e9m de bancar as necessidades b\u00e1sicas, mas sem luxos\u201d, conta \u00canio.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o estudante lia muito e dentre os textos preferidos se destacava os de autoria de Ariadne do Nascimento Moura, p\u00f3s-doutora em Biologia Molecular de Cianobact\u00e9rias pela USP, com a qual se identificava e tinha o sonho de conhecer pessoalmente. P\u00f4de realizar tal desejo no Congresso Brasileiro de Limnologia, em Minas Gerais, evento que participou depois de, sem dinheiro, batalhar para conseguir arcar com os custos de passagem, hospedagem e taxa de inscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu e alguns amigos rifamos de tudo. Sa\u00edmos pedindo ajuda de um e outro at\u00e9 juntarmos uma quantia suficiente para pagar a hospedagem e passagem de ida. Ao chegar l\u00e1 nos aliment\u00e1vamos com o caf\u00e9 da manh\u00e3 da pousada onde est\u00e1vamos e os lanches do evento e fizemos uma campanha para custear nossa volta. No fim deu tudo certo\u201d, relembra. Apresentado pelo orientador, professor Ethan, \u00e0 pesquisadora Moura, \u00canio aproveitou a oportunidade e criou coragem para convid\u00e1-la para orient\u00e1-lo a chegar ao mestrado.<\/p>\n<p><strong>Mais estudos e desafios<\/strong><\/p>\n<p>Quando estava pr\u00f3ximo de concluir a gradua\u00e7\u00e3o, resolveu participar da sele\u00e7\u00e3o do Mestrado na UFPE. Ap\u00f3s ser aprovado, outro desafio surgiu na vida do estudante, quando a casa simples de sua fam\u00edlia foi destru\u00edda e ele teve que ajudar a reconstru\u00ed-la, ficando sem saber ao certo se poderia deixar a fam\u00edlia nesse momento de dificuldade para cursar o mestrado. Encorajado pelo pai, ele resolveu seguir sua carreira acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Sem conhecer quase nada de Recife, partiu com uma sacola de roupa na m\u00e3o, pouco dinheiro no bolso e uma grande vontade de vencer. Foi aprovado entre os primeiros lugares e conseguiu uma bolsa, que o ajudou a custear suas despesas enquanto estudava. Passou a desenvolver suas pesquisas em um s\u00edtio do munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o do Cariri, onde passava cerca de 50 dias isolado. Nessa \u00e9poca tamb\u00e9m teve que superar muitos obst\u00e1culos, desde picada de cobra, andar de 50 a 100 km de bicicleta diariamente, at\u00e9 ser enganado por um colega com o qual deixou uma procura\u00e7\u00e3o para administrar suas contas enquanto se ausentava e fez empr\u00e9stimos, deixando v\u00e1rias d\u00edvidas em nome do estudante.<\/p>\n<p>\u201cTive meus experimentos sabotados, ganhei a inimizade de colegas e at\u00e9 da minha orientadora. Tive que mudar meu projeto de \u00faltima hora, mas continuei a estudar e me dedicar \u00e0s minhas pesquisas, at\u00e9 que com o tempo ficou provado que eu n\u00e3o tive culpa de nenhum dos problemas ocorridos\u201d, recorda \u00canio. Ao encerrar com \u00eaxito, em 2006, o Mestrado em Bot\u00e2nica pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, surgiram convites para o doutorado na mesma \u00e1rea e o estudante cursou na sequ\u00eancia, tamb\u00e9m com a orienta\u00e7\u00e3o de Ariadne do Nascimento Moura.<\/p>\n<p>Com tamanha dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 vida acad\u00eamica, era natural que a vida pessoal fosse deixada de lado por um tempo, at\u00e9 que em uma missa na cidade de Carpina (PE), \u00canio apaixonou-se e come\u00e7ou a namorar a professora da UFPE e terapeuta ocupacional Cibele Dantas. Algum tempo depois, j\u00e1 com o t\u00edtulo de doutor, ficou sabendo da sele\u00e7\u00e3o de professores da UEPB, na qual se inscreveu e foi aprovado.<\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia do destino, dois \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos da Para\u00edba tamb\u00e9m realizaram sele\u00e7\u00e3o para terapeuta ocupacional e a noiva de \u00canio foi selecionada em 1\u00ba e 2\u00ba lugar nos concursos. Com a vida profissional encaminhada, os dois marcaram o casamento, mas no dia da cerim\u00f4nia um tiroteio na frente da casa de festas onde ocorria a comemora\u00e7\u00e3o resultou na morte de dois filhos de um grande amigo do casal e dono do s\u00edtio onde os noivos se conheceram. Uma trag\u00e9dia marcava um dos dias mais especiais da vida de \u00canio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de dificuldades, hoje \u00canio Wocyli pode ser considerado um vencedor. Superou todos os preconceitos e barreiras que a vida imp\u00f4s e realizou seus maiores sonhos, tornando-se bi\u00f3logo, estando, entre 2008 e 2014, na coordenador do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas do Campus V da Universidade Estadual da Para\u00edba, em Jo\u00e3o Pessoa, e desde outubro de 2016, atuando como diretor adjunto do CCBSA, formando uma fam\u00edlia, sendo pai de duas filhas e tornando-se um cidad\u00e3o respeitado por sua postura digna e honrada.<\/p>\n<p>Ao considerar o pensamento de Abraham Lincoln, que afirma que \u201co \u00eaxito da vida n\u00e3o se mede pelo caminho que voc\u00ea conquistou, mas pelas dificuldades que superou no caminho\u201d, pode-se dizer que o professor \u00canio conquistou \u00eaxito em tudo que fez. Gra\u00e7as a seu esfor\u00e7o, chegou mais longe do que qualquer um podia imaginar, com esfor\u00e7o e determina\u00e7\u00e3o. Um exemplo a ser seguido.<\/p>\n<p><strong>Texto e foto:<\/strong> Juliana Marques<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em reuni\u00e3o realizada junto ao cerimonial da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB) no dia 26 de outubro, os formandos do per\u00edodo letivo 2017.1 do Campus V, escolheram o professor \u00canio Wocyli Dantas como paraninfo. 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