{"id":10305,"date":"2023-10-10T18:34:03","date_gmt":"2023-10-10T18:34:03","guid":{"rendered":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/?p=10305"},"modified":"2023-10-16T12:08:09","modified_gmt":"2023-10-16T12:08:09","slug":"pesquisador-da-pos-graduacao-em-relacoes-internacionais-da-uepb-analisa-conflito-entre-israel-e-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/pesquisador-da-pos-graduacao-em-relacoes-internacionais-da-uepb-analisa-conflito-entre-israel-e-palestina\/","title":{"rendered":"Pesquisador da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UEPB analisa conflito entre Israel e Palestina"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (PPGRI) da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB) e um dos coordenadores do Centro de Estudos em Pol\u00edtica, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Religi\u00e3o (CEPRIR), professor F\u00e1bio Nobre, realizou uma an\u00e1lise do conflito entre Israel e Palestina, que segundo ele destaca \u00e9 um dos mais antigos e controversos do mundo. \u201cNo fundo, \u00e9 um conflito entre dois movimentos de autodetermina\u00e7\u00e3o \u2013 o projeto sionista judeu e o projeto nacionalista palestino \u2013 que reivindicam o mesmo territ\u00f3rio. Mas \u00e9 muito mais complicado do que isso, com aparentemente todos os fatos e detalhes hist\u00f3ricos, pequenos e grandes, pleiteados pelas duas partes e pelos seus defensores\u201d, resume.<\/p>\n<p>O pesquisador destaca que Israel \u00e9 o \u00fanico Estado judeu do mundo localizado a leste do Mar Mediterr\u00e2neo. Os palestinos, a popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe oriunda da terra que Israel controla agora, referem-se ao territ\u00f3rio como Palestina e querem estabelecer um Estado com esse nome em toda ou parte da mesma terra. O conflito entre Israel e Palestina \u00e9 sobre quem fica com quais terras e como elas s\u00e3o controladas.<\/p>\n<p>\u201cEmbora tanto os judeus como os \u00e1rabes mu\u00e7ulmanos datem as suas reivindica\u00e7\u00f5es sobre a terra h\u00e1 alguns milhares de anos, o atual conflito pol\u00edtico come\u00e7ou no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Os judeus que fugiam da persegui\u00e7\u00e3o na Europa queriam estabelecer uma p\u00e1tria nacional no que era ent\u00e3o um territ\u00f3rio de maioria \u00e1rabe e mu\u00e7ulmana no Imp\u00e9rio Otomano e mais tarde no Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico. Os \u00e1rabes resistiram, vendo a terra como sendo deles por direito. Um plano inicial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para dar a cada grupo parte da terra falhou, e Israel e as na\u00e7\u00f5es \u00e1rabes vizinhas travaram v\u00e1rias guerras pelo territ\u00f3rio. As linhas atuais refletem em grande parte os resultados de duas destas guerras, uma travada em 1948 e outra em 1967\u201d, rememora F\u00e1bio.<\/p>\n<p>Professor F\u00e1bio pontua que a guerra de 1967 \u00e9 particularmente importante para o conflito de hoje, pois deixou Israel no controle da Cisjord\u00e2nia e da Faixa de Gaza, dois territ\u00f3rios onde vivem grandes popula\u00e7\u00f5es palestinas. Hoje, a Cisjord\u00e2nia \u00e9 nominalmente controlada pela Autoridade Palestina (AP) e est\u00e1 sob ocupa\u00e7\u00e3o israelense. Gaza \u00e9 controlada pelo Hamas, um partido fundamentalista isl\u00e2mico, e est\u00e1 sob bloqueio israelense, mas n\u00e3o sob ocupa\u00e7\u00e3o por tropas terrestres.<\/p>\n<p><strong>Sobre o Hamas<\/strong><\/p>\n<p>O Hamas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica isl\u00e2mica palestina e um grupo militante que tem travado guerra contra Israel desde a funda\u00e7\u00e3o do grupo em 1987, principalmente atrav\u00e9s de atentados suicidas e ataques com foguetes. Procura substituir Israel por um Estado palestino. Tamb\u00e9m governa Gaza independentemente da Autoridade Palestina (AP). O Hamas \u00e9 considerado um grupo terrorista por Israel e pela maior parte do mundo ocidental.<\/p>\n<p>\u201cA carta do Hamas h\u00e1 muito apela \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de Israel e foi revista em 2017 para permitir a aceita\u00e7\u00e3o de um Estado palestino na Cisjord\u00e2nia e na Faixa de Gaza, em vez de todo o territ\u00f3rio, embora o Hamas ainda se recuse a reconhecer a legitimidade do Estado de Israel. O Hamas liderou o ataque ao uso de atentados suicidas contra Israel nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000, embora nos \u00faltimos anos tenha mudado para foguetes e morteiros como armas preferidas. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m oferece aos palestinos uma rede robusta de servi\u00e7os sociais, que desenvolveu como alternativa \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da AP profundamente corruptas\u201d, pontua professor F\u00e1bio.<\/p>\n<p>Em 2006, o Hamas conquistou uma ligeira maioria dos assentos nas elei\u00e7\u00f5es legislativas da Autoridade Palestina. Isto teria colocado o Hamas numa posi\u00e7\u00e3o de comando tanto para a Cisjord\u00e2nia como para Gaza, mas havia um problema: o Hamas recusou-se a aceitar acordos anteriores que a AP tinha feito com Israel. Isso levou as pot\u00eancias ocidentais a congelar a ajuda, da qual a AP depende, a qualquer AP liderada pelo Hamas. As tens\u00f5es entre a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e o Hamas acabaram por evoluir para uma guerra aberta entre as duas fac\u00e7\u00f5es, que acabou com o Hamas a governar Gaza.<\/p>\n<p>Segundo o professor F\u00e1bio, a principal abordagem para resolver o conflito hoje \u00e9 a chamada \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d que estabeleceria a Palestina como um Estado independente em Gaza e na maior parte da Cisjord\u00e2nia, deixando o resto do territ\u00f3rio para Israel. Embora o plano de dois Estados seja claro na teoria, os dois lados ainda est\u00e3o profundamente divididos sobre como faz\u00ea-lo funcionar na pr\u00e1tica. A maioria dos observadores pensa que isto causaria mais problemas do que resolveria, mas este resultado est\u00e1 se tornando mais prov\u00e1vel ao longo do tempo por raz\u00f5es pol\u00edticas e demogr\u00e1ficas. Com os \u00faltimos ataques, parece que a possibilidade de acordos sobre a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados fica ainda mais distante.<\/p>\n<p><strong>O impacto da guerra para o mundo e para o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil assumiu a presid\u00eancia do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (CSNU) no dia 1\u00ba de outubro de 2023. Durante seu mandato, o Brasil ter\u00e1 a oportunidade de liderar o Conselho nas discuss\u00f5es sobre o conflito Israel-Palestina. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que o Brasil tente promover uma solu\u00e7\u00e3o para o conflito, mediando entre as partes. O Brasil tem rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com ambos os lados do conflito, e pode ser um interlocutor confi\u00e1vel. No entanto, \u00e9 importante ressaltar que o conflito \u00e9 complexo e que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. Al\u00e9m de promover uma solu\u00e7\u00e3o para o conflito, o Brasil tamb\u00e9m pode tentar reduzir a viol\u00eancia e a instabilidade na regi\u00e3o. Mas refor\u00e7o que mesmo a presid\u00eancia do CSNU n\u00e3o passa de simbolismo frente aos interesses dos membros permanentes. S\u00e3o esses interesses que decidir\u00e3o definitivamente os rumos que a comunidade internacional tomar\u00e1 quanto ao caso\u201d, declara F\u00e1bio.<\/p>\n<p>Em termos gerais, para o mundo, o conflito Israel-Palestina \u00e9 uma fonte de instabilidade e viol\u00eancia no Oriente M\u00e9dio. A escalada da viol\u00eancia nos \u00faltimos dias aumenta o risco de um conflito mais amplo, envolvendo outros pa\u00edses da regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, o conflito tamb\u00e9m tem um impacto negativo na economia mundial, pois pode levar a aumentos nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s. Al\u00e9m disso, o conflito tamb\u00e9m pode gerar um aumento do antissemitismo e da islamofobia pelo mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (PPGRI) da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB) e um dos coordenadores do Centro de Estudos em Pol\u00edtica, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Religi\u00e3o (CEPRIR), professor F\u00e1bio Nobre, realizou uma an\u00e1lise do conflito entre Israel e Palestina, que segundo ele destaca \u00e9 um dos mais antigos e controversos <a class=\"leiamais\" href=\"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/pesquisador-da-pos-graduacao-em-relacoes-internacionais-da-uepb-analisa-conflito-entre-israel-e-palestina\/\">Leia Mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,13],"tags":[],"class_list":["post-10305","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-noticias-destaque"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbsa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}