{"id":999474,"date":"2020-08-25T12:57:11","date_gmt":"2020-08-25T12:57:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uepb.edu.br\/?p=56920"},"modified":"2020-08-25T12:57:11","modified_gmt":"2020-08-25T12:57:11","slug":"cateter-capaz-de-evitar-infeccao-urinaria-e-desenvolvido-por-docente-da-universidade-estadual-da-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/cateter-capaz-de-evitar-infeccao-urinaria-e-desenvolvido-por-docente-da-universidade-estadual-da-paraiba\/","title":{"rendered":"Cateter capaz de evitar infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria \u00e9 desenvolvido por docente da Universidade Estadual da Para\u00edba"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/files\/2020\/08\/Cateter-desenvolvido-por-docente-da-UEPB-300x162.png\" width=\"300\" height=\"162\" alt=\"Cateter capaz de evitar infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria \u00e9 desenvolvido por docente da Universidade Estadual da Para\u00edba\" \/><\/figure>\n<p>Um cateter capaz de evitar infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria foi desenvolvido pela professora do Departamento de Farm\u00e1cia da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB), Patr\u00edcia Meira de Freitas e Silva, e deve auxiliar equipes m\u00e9dicas na luta contra infec\u00e7\u00f5es adquiridas em ambiente hospitalar. O produto \u00e9 fruto do Doutorado em Biotecnologia que a docente cursou na Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), sob orienta\u00e7\u00e3o do professor F\u00e1bio Sampaio, e foi produzido no Laborat\u00f3rio de Biologia Bucal da institui\u00e7\u00e3o federal e no Laborat\u00f3rio de Microbiologia da UEPB.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o rendeu \u00e0 professora o pr\u00eamio Delby Fernandes de Medeiros de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e gerou patente registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Patr\u00edcia explica que as infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias de pacientes em uso de cateteres urin\u00e1rios ocorrem com frequ\u00eancia de aproximadamente 40%, aumentando a morbidade e, inclusive, a mortalidade de pacientes em fun\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o generalizada desencadeada pelo uso prolongado do cateter.<\/p>\n<p>Com o novo produto, esse \u00edndice deve cair significativamente, uma vez que o cateter \u00e9 impregnado com antibi\u00f3ticos capazes de agir sobre microrganismos presentes no pr\u00f3prio indiv\u00edduo e impedir a forma\u00e7\u00e3o de biofilme bacteriano, dificultando o desenvolvimento de infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria. O dispositivo tamb\u00e9m pode ter efic\u00e1cia contra infec\u00e7\u00f5es generalizadas.<\/p>\n<p>Ela ressalta que o cateter foi criado, principalmente, para atender a uma necessidade hospitalar premente, que seria a diminui\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias e generalizadas em pacientes que fazem uso prolongado de cateteres urin\u00e1rios, sem administra\u00e7\u00e3o oral ou venosa de antimicrobianos, uma vez que essa administra\u00e7\u00e3o dispersa aeross\u00f3is no ambiente e aumenta o risco de as bact\u00e9rias desenvolverem resist\u00eancia aos antimicrobianos.<\/p>\n<p>Os antibi\u00f3ticos utilizados nos testes para a pesquisa foram um qu\u00edmico e outro de origem natural. Foram utilizadas a tradicional ampicilina e uma subst\u00e2ncia natural extra\u00edda da planta Malv\u00e1cea, o sal de criptolepina, que tamb\u00e9m tem a\u00e7\u00e3o antimicrobiana. Sobre a escolha dos antibi\u00f3ticos utilizados na pesquisa para desenvolvimento do cateter, a docente frisa que o uso em pesquisa de antibi\u00f3ticos de origem natural, com plantas, tem sido uma tend\u00eancia no \u00e2mbito dos estudos em Farm\u00e1cia, considerando a elevada resist\u00eancia das bact\u00e9rias aos antibi\u00f3ticos com formula\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas atualmente comercializados.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/files\/2020\/08\/Cateter-desenvolvido-por-docente-da-UEPB-300x162.jpg\" width=\"300\" height=\"162\" alt=\"Cateter capaz de evitar infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria \u00e9 desenvolvido por docente da Universidade Estadual da Para\u00edba\" \/><\/figure>\n<p>\u201cCom base em estudos anteriores, percebi que alguns antibi\u00f3ticos comerciais que tiveram sua a\u00e7\u00e3o diminu\u00edda, devido \u00e0 resist\u00eancia das bact\u00e9rias, poderiam ter sua a\u00e7\u00e3o potencializada com a associa\u00e7\u00e3o de algumas plantas medicinais. Ent\u00e3o, escolhemos alguns antibi\u00f3ticos comerciais e os associamos com v\u00e1rias plantas medicinais at\u00e9 encontrar uma combina\u00e7\u00e3o ideal. Assim, encontrei a potencializa\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o da ampicilina quando associada ao sal de criptolepina\u201d, detalha a professora.<\/p>\n<p>Dessa forma, a pesquisa conseguiu resgatar um antibi\u00f3tico cl\u00e1ssico e barato, a ampicilina, que j\u00e1 n\u00e3o tinha praticamente a\u00e7\u00e3o sobre algumas bact\u00e9rias, principalmente as de import\u00e2ncia hospitalar que apresentam elevada resist\u00eancia ao medicamento. Associado ao sal de criptolepina que, quimicamente, tem caracter\u00edsticas de uma indoquinolona, a ampicilina voltou a ter a\u00e7\u00e3o antimicrobiana sobre bact\u00e9rias temidas no ambiente hospitalar como Pseudomonas aeruginosa e seus biofilmes, quase instranspon\u00edveis aos antibi\u00f3ticos cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>\u201cFizemos v\u00e1rios testes para verificar a toxicidade do sal de criptolepina e averiguar se os dois antibi\u00f3ticos associados teriam a\u00e7\u00e3o sin\u00e9rgica ou antag\u00f4nica. Depois, impregnamos a associa\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos em cateteres urin\u00e1rios e testamos se os antibi\u00f3ticos seriam liberados em concentra\u00e7\u00e3o suficiente para impedir o desenvolvimento de biofilmes bacterianos na superf\u00edcie do cateter, o que impediria o desenvolvimento de infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias em pacientes cateterizados\u201d, conta Patr\u00edcia.<\/p>\n<p><strong>Estudos sobre bact\u00e9rias e antibi\u00f3ticos na pr\u00e1tica hospitalar<\/strong><\/p>\n<p>A professora conta que sempre se interessou pelo estudo das bact\u00e9rias, v\u00edrus e fungos e foi da\u00ed que resolveu desenvolver estudos da \u00e1rea. Ela pretende, em p\u00f3s-doutoramento, dar sequ\u00eancia a esta pesquisa que, ao ser testada em animais e humanos, pode gerar um uso comercial. Para Patr\u00edcia, trabalhar com infec\u00e7\u00e3o hospitalar \u00e9 uma forma direta de trabalhar com bact\u00e9rias e antibi\u00f3ticos na pr\u00e1tica hospitalar e laboratorial. \u201cIdentificar bact\u00e9rias causadoras de infec\u00e7\u00f5es relacionadas e os antibi\u00f3ticos aos quais elas s\u00e3o sens\u00edveis ou resistentes viabiliza a cura mais r\u00e1pida e efetiva de pacientes, evitando que uma infec\u00e7\u00e3o se torne mais grave e at\u00e9 se dissemine pelo organismo, levando a mortes que podemos chamar de mortes silenciosas, pois dificilmente torna-se expl\u00edcito que a causa foi infec\u00e7\u00e3o hospitalar\u201d, explica a professora.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia entende que, com esse tipo de estudo, os pesquisadores podem ajudar os hospitais a economizar recursos financeiros com a compra e uso de antibi\u00f3ticos adequados a cada paciente. \u201cEstima-se que, nos Estados Unidos, os hospitais t\u00eam gasto anual de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares com infec\u00e7\u00f5es hospitalares. Nos dias atuais, diante da crescente resist\u00eancia das bact\u00e9rias aos antibi\u00f3ticos, o uso respons\u00e1vel destes para uma infec\u00e7\u00e3o tem que ser obrigatoriamente precedido de um exame, que \u00e9 a cultura com antibiograma, para se certificar a quais antibi\u00f3ticos uma bact\u00e9ria \u00e9 efetivamente sens\u00edvel\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>A professora conta que, atualmente, trabalha com alunos do Curso de Farm\u00e1cia em projetos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica relacionados a esse tema e que, h\u00e1 alguns anos, desenvolveu um projeto de extens\u00e3o relevante atrav\u00e9s de uma parceria da UEPB com o Hospital da FAP, em Campina Grande, na qual mantinha um laborat\u00f3rio de controle de infec\u00e7\u00e3o hospitalar no interior do hospital e os alunos realizavam seus trabalhos de pesquisa e de conclus\u00e3o de curso. Em contrapartida, o hospital recebia os exames microbiol\u00f3gicos dos pacientes e seu perfil de sensibilidade aos antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria docente treinou funcion\u00e1rios e alunos para a viabilidade desse projeto que, conforme ela, foi um sucesso, principalmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde ocorre grande parte das infec\u00e7\u00f5es hospitalares. \u201cO projeto foi posteriormente descontinuado, por\u00e9m, recentemente, o hospital nos solicitou a realiza\u00e7\u00e3o de um projeto, hoje em andamento, objetivando verificar a contamina\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies hospitalares das suas UTIs e a resist\u00eancia das bact\u00e9rias l\u00e1 isoladas aos antibi\u00f3ticos\u201d, revela Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Freitas trabalha na UEPB h\u00e1 23 anos, onde atua no Departamento de Farm\u00e1cia e no Laborat\u00f3rio de Imunologia e Microbiologia Cl\u00ednica. Possui doutorado pelo Programa em Biotecnologia \u2013 Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), na UFPB; mestrado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (Microbiologia) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com pesquisa desenvolvida tamb\u00e9m na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e gradua\u00e7\u00e3o em Farm\u00e1cia Bioqu\u00edmica pela UFPB.<\/p>\n<p><em><strong>Texto:<\/strong> Juliana Rosas<br \/><strong>Fotos:<\/strong> Arquivo pessoal<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/cateter-capaz-de-evitar-infeccao-urinaria-e-desenvolvido-por-docente-da-universidade-estadual-da-paraiba\/\">Cateter capaz de evitar infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria \u00e9 desenvolvido por docente da Universidade Estadual da Para\u00edba<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/\">UEPB<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cateter capaz de evitar infec&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria foi desenvolvido pela professora do Departamento de Farm&aacute;cia da Universidade Estadual da Para&iacute;ba (UEPB), Patr&iacute;cia Meira de Freitas e Silva, e deve auxiliar equipes m&eacute;dicas na luta contra infec&ccedil;&otilde;es adquiridas em ambiente hospitalar. 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