{"id":868481,"date":"2020-06-26T12:02:12","date_gmt":"2020-06-26T12:02:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uepb.edu.br\/?p=56113"},"modified":"2020-06-26T12:02:12","modified_gmt":"2020-06-26T12:02:12","slug":"artigo-com-participacao-de-docentes-da-uepb-alerta-para-impactos-da-covid-19-sobre-pesquisas-etnobiologicas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/artigo-com-participacao-de-docentes-da-uepb-alerta-para-impactos-da-covid-19-sobre-pesquisas-etnobiologicas-2\/","title":{"rendered":"Artigo com participa\u00e7\u00e3o de docentes da UEPB alerta para impactos da Covid-19 sobre pesquisas etnobiol\u00f3gicas"},"content":{"rendered":"<p>A crise global causada pela pandemia de Covid-19, junto com v\u00e1rias medidas para combat\u00ea-la, tem impactado a atividade de cientistas de todas as \u00e1reas, sobretudo quanto \u00e0s pesquisas que envolvem quest\u00f5es sociais e ambientais, como \u00e9 o caso da Etnobiologia. Esse panorama \u00e9 discutido em artigo recentemente publicado na revista Nature Plants, que conta com a participa\u00e7\u00e3o de 29 pesquisadores de 17 pa\u00edses diferentes, em uma iniciativa liderada pela pesquisadora do New York Botanical Garden (Estados Unidos), Ina Vandebroek.<\/p>\n<p>Dentre os coautores do trabalho, est\u00e3o os docentes da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB), R\u00f4mulo Alves, coordenador do Laborat\u00f3rio de Etnobiologia (C\u00e2mpus I), e Tacyana Oliveira, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Peixes e Conserva\u00e7\u00e3o Marinha (C\u00e2mpus V). A Etnobiologia \u00e9 uma ci\u00eancia complexa, que integra conhecimentos locais e globais, conecta culturas e enfoques acad\u00eamicos e relaciona aspectos biol\u00f3gicos e sociais da experi\u00eancia humana com o ambiente.<\/p>\n<p>O artigo apresenta reflex\u00f5es dos autores discutindo como a pandemia afetar\u00e1 o futuro das pesquisas etnobiol\u00f3gicas. Tais reflex\u00f5es foram reunidas em torno de tr\u00eas eixos tem\u00e1ticos: como a pandemia impactar\u00e1 os modos de vida das comunidades ind\u00edgenas e locais, bem como o uso e manejo dos recursos naturais; como a crise afetar\u00e1 futuras intera\u00e7\u00f5es entre pesquisadores e as comunidades; e quais devem ser as novas prioridades da Etnobiologia como disciplina.<\/p>\n<p>Os pesquisadores da UEPB que participaram do artigo alertaram para os impactos da pandemia nas pesquisas etnozool\u00f3gicas, ou seja, aquelas que envolvem as intera\u00e7\u00f5es humanas com animais, particularmente em rela\u00e7\u00e3o ao uso e com\u00e9rcio de fauna. Eles ressaltam que essas atividades est\u00e3o intrinsecamente relacionadas \u00e0 transmiss\u00e3o de doen\u00e7as entre animais e seres humanos (zoonoses) e, portanto, come\u00e7aram a sofrer restri\u00e7\u00f5es com o avan\u00e7o da pandemia. O principal marco de restri\u00e7\u00f5es veio por parte do governo chin\u00eas, que proibiu a ca\u00e7a, com\u00e9rcio, cultivo e consumo de todas os animais silvestres terrestres que sejam consumidos pelos humanos.<\/p>\n<p>A China \u00e9 um pa\u00eds com fortes la\u00e7os culturais em rela\u00e7\u00e3o ao uso de animais, principalmente para alimenta\u00e7\u00e3o e para a Medicina Tradicional Chinesa (TCM), que \u00e9 um sistema milenar usado para o tratamento de in\u00fameras doen\u00e7as. Apesar da import\u00e2ncia do uso dos animais para os chineses (e diversos outros povos ao redor do mundo), muitas das esp\u00e9cies correm risco de extin\u00e7\u00e3o e j\u00e1 existem muitas discuss\u00f5es sobre o uso n\u00e3o sustent\u00e1vel desses animais. Portanto, a proibi\u00e7\u00e3o do governo chin\u00eas, mesmo que \u00e0s custas de uma pandemia, segundo os pesquisadores, \u00e9 muito bem-vinda para al\u00e9m da preven\u00e7\u00e3o ou minimiza\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o de pat\u00f3genos atrav\u00e9s de animais.<\/p>\n<p>Mas existem v\u00e1rios \u201cpor\u00e9ns\u201d, conforme os autores do artigo. Um deles \u00e9 o fato de as restri\u00e7\u00f5es serem apenas aplic\u00e1veis a animais que s\u00e3o usados como alimento. Mas h\u00e1 animais vendidos em mercados, por exemplo, que s\u00e3o usados como rem\u00e9dios e n\u00e3o necessariamente s\u00e3o considerados \u201ccomida\u201d. E h\u00e1 aquelas esp\u00e9cies que s\u00e3o usadas tanto como alimento como para rem\u00e9dio. Ent\u00e3o, surge o questionamento: como identificar esses usos e como trat\u00e1-los dentro das restri\u00e7\u00f5es? Esse \u00e9 um cen\u00e1rio que se replica, em maior ou menor escala, em diversos outros pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>Essa e outras quest\u00f5es, segundo os professores R\u00f4mulo e Tacyana, est\u00e3o diretamente relacionados ao papel da Etnozoologia, uma vez que os estudos etnozool\u00f3gicos s\u00e3o important\u00edssimos e, muitas vezes, indispens\u00e1veis para se obter dados sobre os usos e o com\u00e9rcio de animais. Em todo o mundo, v\u00e1rios grupos de pesquisa realizam trabalhos que envolvem idas a comunidades locais em \u00e1reas rurais, e tamb\u00e9m urbanas, como mercados, feiras livres, escolas, entre outros, onde s\u00e3o obtidos dados sobre quais esp\u00e9cies s\u00e3o comercializadas ou utilizadas, quais as quantidades que s\u00e3o capturadas e vendidas, quais os pre\u00e7os, qual a origem e o destino dos animais, para que ser\u00e3o utilizados e de que forma.<\/p>\n<p>Todas essas informa\u00e7\u00f5es, de acordo com R\u00f4mulo e Tacyana, s\u00e3o essenciais para se entender como funciona a rela\u00e7\u00e3o entre pessoas e animais, como tamb\u00e9m os benef\u00edcios e malef\u00edcios que ela pode trazer para ambas as partes. N\u00e3o raro, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel obter essas informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de estudos etnozool\u00f3gicos e uma vez que as atividades de com\u00e9rcio e consumo de fauna se tornam ilegais, a obten\u00e7\u00e3o de dados fica ainda mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Uma outra quest\u00e3o muito importante a ser levantada em rela\u00e7\u00e3o a medidas de restri\u00e7\u00e3o (e prote\u00e7\u00e3o, quando \u00e9 o caso), geralmente, animais terrestres e aqu\u00e1ticos s\u00e3o tratados de forma diferente. Isso se reflete nas medidas tomadas pela China em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia, onde as proibi\u00e7\u00f5es est\u00e3o restritas a animais terrestres. Isso exclui, portanto, os animais aqu\u00e1ticos, incluindo peixes, pepinos do mar, caranguejos, moluscos e outros que s\u00e3o amplamente utilizados para a alimenta\u00e7\u00e3o e na TCM.<\/p>\n<p>\u201cCertamente, j\u00e1 est\u00e1 havendo uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de consumo e comercializa\u00e7\u00e3o da fauna aqu\u00e1tica, que tamb\u00e9m apresenta in\u00fameras esp\u00e9cies amea\u00e7adas. E essas mudan\u00e7as precisam ser avaliadas, pois levantam preocupa\u00e7\u00f5es adicionais para a conserva\u00e7\u00e3o desses animais. Mas n\u00e3o apenas os animais s\u00e3o afetados por toda a reviravolta que a pandemia tem causado. Os aspectos sociais tamb\u00e9m devem ser considerados e um dos papeis da Etnozoologia tamb\u00e9m inclui avaliar os impactos das restri\u00e7\u00f5es de uso de fauna sobre as popula\u00e7\u00f5es humanas que dele dependem\u201d, destacam os professores.<\/p>\n<p>Isso inclui desde avaliar os conflitos gerados pela pandemia de forma geral, por exemplo, aqueles associados \u00e0s restri\u00e7\u00f5es legais da comercializa\u00e7\u00e3o da fauna, at\u00e9 auxiliar no di\u00e1logo entre comerciantes, consumidores\/usu\u00e1rios e institui\u00e7\u00f5es ambientais, para minimizar esses conflitos. \u201cDe fato, a pandemia tem revolucionado o modo de vida de todos no planeta e a Etnobiologia, como tantas outras disciplinas, tamb\u00e9m precisar\u00e1 se ajustar a esse novo cen\u00e1rio, \u00e0s mudan\u00e7as e novas problem\u00e1ticas \u2013 al\u00e9m de todas as outras que j\u00e1 existiam. Devido a sua caracter\u00edstica multidisciplinar, ela ter\u00e1 um papel important\u00edssimo n\u00e3o s\u00f3 no entendimento dessa nova realidade entre os humanos e o ambiente, mas tamb\u00e9m na elabora\u00e7\u00e3o de medidas de explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da fauna que levem em considera\u00e7\u00e3o a realidade socioecon\u00f4mica das comunidades humanas, mas tamb\u00e9m a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies animais exploradas\u201d, ressaltam os docentes.<\/p>\n<p>O artigo pode ser conferido, na \u00edntegra, clicando <strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41477-020-0691-6?fbclid=IwAR1cRmvXTjqK7_KVnt6uBo7CKXmzyx46tv0ZJzQYr--rp06y6P1kDuUl4-8\"  rel=\"noreferrer noopener\">AQUI<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/artigo-com-participacao-de-docentes-da-uepb-alerta-para-impactos-da-covid-19-sobre-pesquisas-etnobiologicas\/\">Artigo com participa\u00e7\u00e3o de docentes da UEPB alerta para impactos da Covid-19 sobre pesquisas etnobiol\u00f3gicas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/\">UEPB<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise global causada pela pandemia de Covid-19, junto com v&aacute;rias medidas para combat&ecirc;-la, tem impactado a atividade de cientistas de todas as &aacute;reas, sobretudo quanto &agrave;s pesquisas que envolvem quest&otilde;es sociais e ambientais, como &eacute; o caso da Etnobiologia. Esse panorama &eacute; discutido em artigo recentemente publicado na revista Nature Plants, que conta com <a href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/artigo-com-participacao-de-docentes-da-uepb-alerta-para-impactos-da-covid-19-sobre-pesquisas-etnobiologicas\/\">Leia Mais&#8230;<\/a><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/artigo-com-participacao-de-docentes-da-uepb-alerta-para-impactos-da-covid-19-sobre-pesquisas-etnobiologicas\/\">Artigo com participa&ccedil;&atilde;o de docentes da UEPB alerta para impactos da Covid-19 sobre pesquisas etnobiol&oacute;gicas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/\">UEPB<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8,56,5,10],"tags":[],"class_list":["post-868481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ccbs","category-covid-19","category-noticias","category-noticias-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7WTD4-3DVL","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/868481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=868481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/868481\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=868481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=868481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccbs\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=868481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}