{"id":400,"date":"2018-06-14T17:35:49","date_gmt":"2018-06-14T20:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uepb.edu.br\/?p=41403"},"modified":"2018-06-14T17:35:49","modified_gmt":"2018-06-14T20:35:49","slug":"etapa-do-2-encontro-de-sanfoneiros-e-tocadores-de-fole-de-oito-baixos-e-realizado-em-lagoa-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centros.uepb.edu.br\/ccaa\/2018\/06\/14\/etapa-do-2-encontro-de-sanfoneiros-e-tocadores-de-fole-de-oito-baixos-e-realizado-em-lagoa-seca\/","title":{"rendered":"Etapa do 2\u00b0 Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos \u00e9 realizado em Lagoa Seca"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/etapa-do-2-encontro-de-sanfoneiros-e-tocadores-de-fole-de-oito-baixos-e-realizado-em-lagoa-seca\/#gallery-41403-1-slideshow\">Clique para exibir o slide.<\/a><\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta-feira (13), o Campus II da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB), localizado em Lagoa Seca, sediou o 2\u00b0 Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos. Promovido pela Pr\u00f3-Reitoria de Cultura (Procult), em parceria com o referido campus, o evento aconteceu nos per\u00edodos da manh\u00e3 e tarde, recebeu um grande p\u00fablico e disp\u00f4s de uma estrutura montada especialmente para receber a iniciativa.<\/p>\n<p>O Encontro come\u00e7ou com apresenta\u00e7\u00f5es do sanfoneiro mirim Ra\u00ed Bezerra, contando ainda com exibi\u00e7\u00f5es dos emboladores de coco Can\u00e1rio e Caboclo, que divertiram a plateia com suas improvisa\u00e7\u00f5es. Jo\u00e3o e Marcelo Calixto e os professores do Centro Art\u00edstico Cultural (CAC) da UEPB, Erivan Ferreira e Jo\u00e3o Batista, tamb\u00e9m integraram a programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Declama\u00e7\u00f5es de estudantes do Campus II e de Lino Sapo, mestre de cerim\u00f4nias oficial da atividade, bem como interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de alunos do Centro de Forma\u00e7\u00e3o Elizabeth e Jo\u00e3o Pedro Teixeira (MST\/PB), igualmente, animaram o evento. Um dos pontos altos foi a participa\u00e7\u00e3o do casal de septuagen\u00e1rios Ant\u00f4nio da Guia e Da Guia de Ant\u00f4nio, que, inclusive, esteve na primeira edi\u00e7\u00e3o do Encontro, no ano passado, encantando a todos com seu forr\u00f3 genu\u00edno.<\/p>\n<p>O homenageado da iniciativa em Lagoa Seca foi o tocador de fole e sanfona Manuel Tambor. O artista recebeu um trof\u00e9u confeccionado pelo estudante Rob\u00e9rio Marques. A Orquestra Rural V\u00f3 Maria, provinda de Areia, veio coroar o encerramento do Encontro, no final da tarde, com um repert\u00f3rio baseado essencialmente no cancioneiro nordestino.<\/p>\n<p>O pr\u00f3-reitor de Cultura, Jos\u00e9 Crist\u00f3v\u00e3o de Andrade, deu as boas vindas \u00e0 plateia e aos inscritos do Campus II, ressaltando a acolhida e a organiza\u00e7\u00e3o do evento. &#8220;\u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o para n\u00f3s efetivar mais uma etapa do Encontro, em cada cidade sempre com esse objetivo de congra\u00e7amento, de nos reunirmos ao redor da criatividade do nosso povo&#8221;, explanou.<\/p>\n<p>O diretor do Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Ambientais (CCAA) da UEPB, Jos\u00e9 F\u00e9lix de Brito Neto, destacou a import\u00e2ncia do Encontro para toda a Para\u00edba e o Nordeste. &#8220;Ao valorizar esses instrumentistas, a UEPB d\u00e1 sua colabora\u00e7\u00e3o e seu incentivo para que a m\u00fasica de raiz prossiga e seja conhecida e honrada pelas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Por tudo que devemos a esses artistas e \u00e0 perseveran\u00e7a deles, no sentido da continuidade da cultura popular, o m\u00ednimo que podemos fazer \u00e9 enaltec\u00ea-los&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Uma das integrantes do Encontro foi a aposentada Ana J\u00falia da Concei\u00e7\u00e3o, 77. Vi\u00fava do sanfoneiro Epif\u00e2nio de Souza, falecido h\u00e1 mais de 15 anos, ela foi presen\u00e7a marcante em todo o evento, dan\u00e7ando e tocando tri\u00e2ngulo. &#8220;Fiquei muito feliz ao saber do Encontro na Universidade. Meu marido e eu nos apresentamos v\u00e1rias vezes no Parque do Povo, durante o S\u00e3o Jo\u00e3o. Gostava muito disso e queria continuar, mas poucos convites aparecem&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O assessor da Procult Agnaldo Barbosa, o professor do CAC Erivelton da N\u00f3brega, o produtor cultural da Procult, Alberto Alves, as professoras Shirleyde Santos e \u00c9lida Barbosa Correia, e os t\u00e9cnico-administrativos Lisiane Santos de Almeida e Igor de Carvalho foram alguns dos que compuseram o p\u00fablico do evento.<\/p>\n<p><strong>Mais sobre Manuel Tambor<\/strong><\/p>\n<p>Manuel Carneiro, conhecido como Manuel Tambor, nasceu no dia 17 de junho de 1928, em Santa Luzia (PB). Proveniente de uma fam\u00edlia de origem humilde, deu seus primeiros passos na m\u00fasica aos 12 anos, aprendendo com o pai, que era agricultor e tocava fole de oito baixos nas poucas horas vagas que restavam da lida no campo. O pai de Manuel, por\u00e9m, n\u00e3o queria que ele fosse tocador, mas agricultor.<\/p>\n<p>Em 1942, quando contava 14 anos, a fam\u00edlia veio morar na zona rural da cidade de Esperan\u00e7a (PB), numa terra arrendada pelo pai dele. Com a dificuldade financeira, Manuel come\u00e7ou a tocar na feira do mercado p\u00fablico e em s\u00edtios para ajudar nas despesas familiares. Sete anos depois comprou uma sanfona de 48 baixos e, ap\u00f3s treinar por seis meses, passou a lev\u00e1-la para os forr\u00f3s, onde tocava uma parte da festa na sanfona e a outra no fole de oito baixos. A plateia se encantava pelo fato do artista saber dos dois instrumentos, dado que era comum que tocassem ou a sanfona ou o fole. Assim, foi contratado para tocar no S\u00e3o Jo\u00e3o e no S\u00e3o Pedro na cidade de Alagoa Nova, pois a not\u00edcia que tinha um tocador que fazia os dois, e ainda cantava, espalhou-se e n\u00e3o faltavam convites de trabalho.<\/p>\n<p>Em 1951, casou-se com Dona Margarida e adquiriu uma casa na cidade; como se dizia na \u00e9poca: \u201ccomprou uma casa na rua\u201d. Seguiu a carreira e constituiu fam\u00edlia com a esposa. Dois anos depois, em 1953, optou por tentar a sorte como m\u00fasico, no Recife (PE), acompanhado do irm\u00e3o, Diassis, que tocava pandeiro. Desconhecidos, os irm\u00e3os n\u00e3o ganharam um bom acolhimento. Na volta, decidiu parar num bar para tomar uma cerveja, e, enquanto isso, perguntou ao dono se podia tocar uma m\u00fasica. Quando terminou a execu\u00e7\u00e3o dela, as pessoas que estavam no local gostaram e vieram pedir outras. Um senhor, que assistiu toda a apresenta\u00e7\u00e3o, perguntou se Manuel Tambor aceitaria se apresentar na R\u00e1dio Tamandar\u00e9 e escreveu um bilhete dizendo que entregasse ao diretor da R\u00e1dio. Mais: que n\u00e3o sa\u00edsse de l\u00e1 sem uma resposta.<\/p>\n<p>O diretor gostou do trabalho de Manuel e surgiu um convite para que participasse de um show de audit\u00f3rio. Dependendo da apresenta\u00e7\u00e3o, a promessa era ser contratado como Artista de R\u00e1dio. Manuel ficou espantado quando viu o tamanho do audit\u00f3rio, mais de duas mil pessoas na plateia e os sanfoneiros que se apresentavam &#8211; um mais h\u00e1bil que o outro. Contudo, aplaudido de p\u00e9, cantando e tocando o \u201cXote das Meninas\u201d, de Luiz Gonzaga, ele se destacou como o melhor e pediram que desfiasse mais cinco m\u00fasicas. Recebeu um bom pagamento e retornou \u00e0 Esperan\u00e7a para arrumar as coisas e se mudar para o Recife, onde j\u00e1 estava acertado o emprego de Artista de R\u00e1dio na R\u00e1dio Tamandar\u00e9, mas Dona Margarida n\u00e3o gostou da ideia. N\u00e3o queria se mudar, pois tinham dois filhos, Valdeci e Espedito, ainda beb\u00eas. E, para n\u00e3o se indispor com a amada, Manuel desistiu da oportunidade na R\u00e1dio e ficou em Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Mais tarde, faria diversos conjuntos com os filhos, Espedito e Luiz Carlos (Lulu). O primeiro foi o \u201cSolracsom\u201d. Depois viria a \u201cBanda Esta\u00e7\u00e3o da Luz\u201d, que tamb\u00e9m dispunha de uma cantora e terminou por incorporar instrumentistas de sopro (trompete, saxofone e trombone) e se transformar em Orquestra, junto tamb\u00e9m de seu outro filho, Pel\u00e9. Poucos anos depois Manuel parou de tocar, mas seus filhos continuaram com a Orquestra at\u00e9 2012.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o falecimento da esposa, em 2005, Manuel Tambor decidiu morar com as filhas em Campina Grande, mas costuma voltar a sua casa em Esperan\u00e7a, onde reside Valdeci, a filha mais velha. Hoje aposentado, ele tem 12 filhos, 19 netos e tr\u00eas bisnetos e muitos amigos que compartilham de sua alegria de viver e admiram sua aguerrida trajet\u00f3ria art\u00edstica.<\/p>\n<p><em><strong>Texto:<\/strong> Oziella Inoc\u00eancio<\/em><br \/>\n<em><strong>Fotos:<\/strong> Paizinha Lemos<\/em><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/etapa-do-2-encontro-de-sanfoneiros-e-tocadores-de-fole-de-oito-baixos-e-realizado-em-lagoa-seca\/\">Etapa do 2\u00b0 Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos \u00e9 realizado em Lagoa Seca<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.uepb.edu.br\/\">UEPB<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na &uacute;ltima quarta-feira (13), o Campus II da Universidade Estadual da Para&iacute;ba (UEPB), localizado em Lagoa Seca, sediou o 2&deg; Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos. 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