CCEA

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Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas

2º Seminário Pedagógico das Licenciaturas do CCEA discute ciência e formação do professor na atualidade

11 de dezembro de 2017
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A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), através do Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas (CCEA), em parceria com a Editora da Instituição (EDUEPB), realizou a segunda edição do Seminário Pedagógico das Licenciaturas (SEMPEL). O evento aconteceu nos dias 6 e 7 de dezembro, no Auditório Celso Furtado, no Câmpus VII, em Patos.

Com o tema “A Ciência e a Formação do Professor Contemporâneo: tensões e construções em disputa”, o evento reuniu a comunidade acadêmica e fomentou a discussão e análise reflexiva acerca das temáticas que permeiam a educação e os desafios e enfrentamentos à formação e à prática pedagógica na conjuntura atual do país.

A abertura solene do evento foi coordenada pela professora Kilmara Rodrigues e foram convidados a compor a mesa o reitor Rangel Junior; o diretor do Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas da UEPB, professor Adriano Homero Vital Pereira; e os professores Marcelo Gomes Germano e Cidoval Morais de Sousa.

Adriano Homero cumprimentou a todos e parabenizou a organização do evento em propor, com o Seminário, um espaço para abordagem e discussão de questões presentes nas tensões vividas pelos docentes, frente às mudanças sociais e novas propostas pedagógicas, no atual contexto do país, em que os problemas político-econômicos refletem diretamente na evolução científica e tecnológica, e nos fatores que dizem respeito à formação social.

O debate sobre os reflexos da atual conjuntura do cenário político por que passa o país e suas consequências para a ciência, educação e desenvolvimento social foram endossadas pelo reitor da Universidade Estadual da Paraíba, professor Rangel Junior, que ressaltou a importância do debate sobre as nuances que envolvem o sistema educacional brasileiro no atual contexto e suas interrelações com a construção do processo de formação da sociedade.

Rangel parabenizou a organização do SEMPEL pela iniciativa e destacou o evento como uma relevante ação do Campus VII, no intuito de reafirmar e dar cumprimento ao compromisso social da universidade, possibilitando uma interação transformadora entre instituição e sociedade.

Cidoval Morais saudou a comunidade acadêmica e cumprimentou os organizadores do evento. O professor falou sobre o tempo de pandora e fez uma breve discussão da complexa conjuntura política e econômica na qual o país se encontra envolvido, além da análise da educação superior nesse contexto e como essas implicações representam a abertura de uma nova “Caixa de Pandora”.

O convidado para abrir o ciclo de palestras do SEMPEL, professor Marcelo Gomes Germano, agradeceu o convite para estar no evento e saudou o público presente partilhando suas reflexões sobre a ciência, o ensino e a formação do professor contemporâneo, tema que intitula a 2ª edição do Seminário Pedagógico das Licenciaturas. Ele discorreu sobre a necessidade de discutir uma formação docente para o ensino de ciências que envolva as questões atuais, e que o educador intua o seu papel como agente transformador e, por conseguinte, estimule os educandos, promovendo interações entre os sujeitos da aprendizagem e os conhecimentos científicos, propiciando diálogos que permitam, entre outras coisas, a apropriação desses conhecimentos pelos alunos e, gradativamente, por toda a sociedade.

O professor Rangel Junior, o filósofo Maurício Santos e o professor Cidoval Morais debateram o tema “Educação e Democracia em tempos de Pós Verdade”. Cidoval contextualizou a relação entre educação e democracia debatendo a problemática na época da pós verdade. O professor definiu o uso do termo “Pós-verdade” esclarecendo-o como circunstância em que o fato concreto tem menos influência em moldar a opinião pública do que um conjunto de crenças pessoais e discorreu acerca do intuito do debate voltado à atenção para o risco de disseminação das circunstâncias experienciadas.

Maurício Santos falou sobre a indissociabilidade de educação e democracia e contextualizou a evolução humana desde a Grécia antiga abordando os modelos educacionais que refletem a participação histórica e o momento político, reunindo aspectos e princípios relativos ao homem e à sociedade. Maurício falou sobre a Paidéia, ideal educativo grego que visa a formação integral do ser humano como cidadão, as correntes filosóficas medieval Escolástica e a Patrística, abordando posteriormente o iluminismo e a ascensão da razão, além da corrente do positivismo que influencia a educação até a atualidade.

Rangel abordou a variedade de interesses e as crescentes intervenções correlatas à celeridade e à complexidade das mudanças culturais na sociedade contemporânea. O professor falou sobre a constituição de uma nova educação, baseada na emancipação do ser humano onde todos sejam sujeitos na construção do processo educativo e do conhecimento.

Ao final do ciclo de palestras, o espaço foi aberto para apresentações culturais. Os alunos do Câmpus VII, demonstraram suas habilidades musicais e encantaram a todos. Os participantes do evento foram ainda agraciados com a apresentação musical do Reitor Rangel Júnior, que acompanhado dos professores Cidoval Morais e Marcelo Gomes também fizeram uso do púlpito do Auditório Celso Furtado e abrilhantaram a 2ª edição do SEMPEL.

A tarde, o espaço foi destinado a troca de experiências, práticas de exercícios e desenvolvimento de habilidades com a realização de minicursos e oficinas. Já a noite, foi realizada a mesa redonda intitulada “O ensino de ciência na perspectiva contemporânea”, ministrada pelos professores Ledevande Martins, Kalinka Walderea Almeida Meira, Soraia Carvalho e mediada por Arlandson Matheus.

Os professores abordaram o papel do ensino de ciências no contexto das necessárias modificações na educação e as tendências e desafios da atualidade contribuindo, com uma série de reflexões, para a construção de um ensino de ciências mais rico e adequado às questões da contemporaneidade, promovendo uma prática pedagógica que compreenda o paradigma norteador do processo educacional, que prime por ações compatíveis com o propósito de melhorar o ensino e torná-lo mais prático ao desenvolvimento social.

Simultaneamente as palestras, ações beneficentes foram realizadas, durante todo o dia, dentro da programação do evento. Uma feira com obras literárias, vendidas a baixo custo, foi montada ao lado do auditório e toda a arrecadação revertida em alimentação para animais abandonados do município. Durante o evento, também foram arrecadados brinquedos a serem doados a crianças carentes da cidade.

No primeiro dia do SEMPEL, os visitantes puderam ainda adquirir um dos mais de 40 títulos publicados pela Editora Universitária (EDUEPB), que estiveram à disposição do público com preços acessíveis em um stand montado no hall do CCEA. As atividades do segundo dia do evento foram coordenadas pela professora Carolina Coeli e teve início com a exposição de pôsteres e apresentações de trabalhos com eixos nas temáticas Políticas Educacionais e Perspectivas na Formação Docente, Gestão Escolar e Práticas Pedagógicas Inclusivas e Interdisciplinares, Saberes Experiências e Práticas no Ensino de Ciências.

Após as apresentações dos trabalhos, o auditório do CCEA tornou-se palco de um recital, onde os alunos declamaram poemas e manifestaram, durante toda a apresentação, a singela delicadeza da poesia contida nos versos dos mais renomados autores. O recital cedeu espaço para a sátira a chegada dos Portugueses ao Brasil, com a encenação teatral intitulada “A Invenção do Brasil”, peça de roteiro adaptado de uma produção de Porta dos Fundos, com direção de Nádia Farias e elenco composto por alunos do Câmpus VII.

O tema “Direito Educacional a Judicialização das Relações Escolares” fez-se muito pertinente no debate da contemporaneidade, tendo em vista o período de reconfiguração social pelo qual passam os sujeitos aluno e professor. Ministrada pelos professores Delzymar Dias e André Gomes Alves, e mediada pela professora Nádia Farias, a palestra destacou a educação como direito social na Constituição Federal.

André contextualizou historicamente o direito à educação e arguiu sobre a Constituição Federal de 1988 como documento jurídico marco na consolidação dos direitos sociais e deveres do Estado perante a sociedade, regulamentando mecanismos para a sua garantia. Delzymar Dias, debateu os atuais desafios do sistema educacional brasileiro atendo-se a questões da atualidade a partir do revisionismo do contexto histórico, PEC dos gastos públicos, gênero e sexualidade e a escola sem partido.

A mesa redonda “(In)Dissociabilidade entre ciência e docência”, ministrada pelos professores Afonso Celso Scocuglia e Ramsés Nunes, encerrou o ciclo de palestra do evento com o debate acerca da dinâmica da produção do conhecimento sob a ótica da indissociabilidade das atividades de produção, transmissão e socialização do conhecimento a partir de uma perspectiva crítica. Adriano Homero mediou o debate e fez relevantes considerações acerca da temática.

O diretor do Câmpus VII falou sobre a satisfação em sediar a 2º edição do evento e compartilhar com autoridades intelectuais experiências no tocante a ciência e a prática docente. Adriano agradeceu e parabenizou a todos os envolvidos pelo empenho na realização do seminário, que resultou em um espaço de reflexões sobre a formação de professores e as políticas públicas a ela vinculadas, situadas no contexto sócio-histórico e destacando as suas nuances no cenário atual da formação docente.

O discurso de encerramento foi proferido pela professora Lidiane Campelo, que falou em nome de toda a comissão organizadora do 2º Seminário Pedagógico das Licenciaturas do Câmpus VII. A professora discorreu sobre a proposta e intencionalidade do evento, e agradeceu o processo colaborativo de toda a equipe comprometida com a formação docente.

Texto e fotos: Tatiany Escarião

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