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Centro de Ciências Biológicas e Sociais Aplicadas

Atleta da UEPB medalhista em Jogos Paralímpicos Universitários se prepara para buscar uma vaga nas Paralimpíadas de 2020

6 de setembro de 2017

Numa sociedade cercada por estereótipos de sucesso, rótulos que nos reduzem e nos direcionam por caminhos que nem sempre estão de acordo com os nossos sonhos e expectativas, seguir o caminho inverso e tornar-se autor de nossa própria história requer coragem, disciplina e resiliência. Ter uma limitação física, financeira, social ou emocional, não deve ser o fator primordial para conduzir os rumos da nossa vida. E, assim, buscando alcançar seus sonhos sem preocupação com os padrões impostos, tem sido a trajetória da graduanda do curso de Relações Internacionais da Universidade Estadual da Paraíba, Bruna Alves Dias, atleta paralímpica, medalhista, estudante dedicada e com um futuro promissor no esporte e na vida profissional.

A atleta, que foi a única representante da UEPB na competição, conquistou os primeiros lugares no lançamento de disco, lançamento de dardo e arremesso de peso na categoria F34, nos jogos Paralímpicos Universitários 2017, realizados, de 26 a 30 de julho, em São Paulo.

As conquistas são o resultado de muita dedicação e superação de limites, pois, desde que nasceu, Bruna Dias, que teve paralisia cerebral por conta da falta de oxigenação no parto normal, teve de aprender a lidar com os obstáculos que a vida lhe impôs. “Sempre acontecia alguma coisa que me deixava frustrada mas, eu sabia lidar, desde que nasci eu tenho que lidar com isso. Mas eu pensava que não podia choramingar, apesar das dificuldades, tinha que seguir em frente. E eu tinha em mente algo que minha mãe sempre dizia ‘a única diferença entre mim e as outras pessoas é que a minha limitação é visível’. Então desde criança eu fazia muitas coisas, ballet, teatro, tocava piano, além da fisioterapia, que fiz durante muito tempo”, relembra Bruna.

A relação com o esporte

“Na adversidade, uns desistem. Enquanto outros batem recordes”, essa frase de Ayrton Senna poderia ilustrar o percurso de Bruna Dias no esporte e na vida. A estudante iniciou sua relação com o atletismo há quatro anos, quando buscava uma atividade física para substituir a Fisioterapia. “No começo ingressei no esporte por uma questão de reabilitação, mas, aos poucos fui ficando fascinada, principalmente quando assistia a olimpíada, porque adorava o clima da competição. Mas, eu só imaginava que podia competir na natação. Até que quando eu ingressei num projeto de extensão da UFPB que trabalhava com esportes paralímpicos, o professor Jailton Lucas de Miranda percebeu o meu talento e possibilidade de crescimento no esporte”, recorda Bruna.

A estudante, que conheceu o atletismo aos 16 anos de idade, participou das Paralimpíadas Escolares, quando ganhou ouro e alcançou o recorde brasileiro na categoria 100m de corrida, dardo e peso. “A vida dela foi regrada, de muita luta, hidroginástica, terapia, o dia era intenso. Além disso, quase não teve infância porque sempre lidava com adultos, o que fez com quem ela amadurecesse cedo e acho que isso estimulou para ela alcançar esses resultados no atletismo”, destacou a mãe Josicleide Alves.

Há um ano treinando profissionalmente com o acompanhamento do técnico Pedro Almeida, Bruna treina uma a duas horas por dia, o que lhe rendeu o destaque nos Jogos Paralímpicos Universitários 2017. A paraibana competiu com outros 254 atletas que representaram universidades de 20 estados e do Distrito Federal. As disputas ocorreram em seis modalidades: atletismo, natação, badminton, judô, tênis de mesa e bocha. O evento foi organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro com o apoio da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU).

Quando perguntada sobre o principal desafio da sua prática esportiva atualmente, além da superação diária de barreiras, a estudante destaca a busca por patrocinadores que possam ajudá-la a participar das competições. “Tudo está sendo bancado pela minha família, e o custo é muito alto. Então eu estou na busca por apoio, de instituições parceiras, que possam me ajudar a alcançar meus objetivos e representar a UEPB e a Paraíba nas competições que podem me projetar rumo às Paralimpíadas”, explica.

Planos para o futuro

Com relação aos planos da estudante para a vida de atleta, Bruna tem metas bem delineadas. “Estou trabalhando com foco no Mundial Parapan-Americano de Lima, no Peru, porque quero me classificar para entrar na seleção e representar o Brasil nas Paralimpíadas de 2020”, planeja a estudante.

Paralelamente ao percurso rumo às Paralimpíadas Bruna segue com foco nos estudos nas graduações em Relações Internacionais e Direito, sempre na companhia da mãe que ingressou no curso de Arquivologia da UEPB para acompanhar a filha na vida acadêmica. “Meu planejamento é em 2020 estar formada nos dois cursos, mas, meu objetivo maior é ser juíza, espero poder trabalhar numa coisa que envolva Relações Internacionais e Direito, que são duas áreas que eu sou apaixonada”, idealiza Bruna.

Fotos: Comitê Paralímpico Brasileiro e Juliana Marques – Assessoria de Comunicação/UEPB

Texto: Juliana Marques