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Centro de Ciências Biológicas e da Saúde

1º Encontro de Psicologia Social é aberto com debate sobre loucura e crenças no campo da Saúde

13 de dezembro de 2017
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O Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde (PPGPS) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em parceria com o Departamento de Psicologia da Instituição, está realizando até esta quinta-feira (14), o 1º Encontro de Psicologia Social e Saúde. O evento, que marca o encerramento das atividades do Programa este ano, acontece no auditório do curso de Psicologia, no Câmpus de Bodocongó, em Campina Grande

O objetivo da iniciativa é reunir professores, estudantes e profissionais da área da Saúde no intuito de promover a socialização e a reflexão sobre atividades de pesquisa e intervenção no campo da Saúde, a partir da Psicologia Social. Palestras, mesas redondas, rodas de conversa e oficinas integram a programação desenvolvidas no auditório de Psicologia e nas salas de aula do curso.

O Encontro foi aberto oficialmente na manhã desta quarta-feira (13) pela professora Sibelle Maria Martins de Barros, coordenadora do PPGPS, pela coordenadora do curso de Psicologia, professora Ana Cristina, e pelo professor Leconte de Lisle Coelho Junior, que também faz parte da organização. Antes dos debates, as professoras organizadoras enfatizaram a importância do evento e do envolvimento dos futuros psicólogos na iniciativa.

A professora Sibelle Maria Martins de Barros ressaltou que a proposta inicial foi mostrar a contribuição da Psicologia Social para o campo da Saúde, além de unir os alunos de graduação com os estudantes do Mestrado. Os professores também estão refletindo sobre as políticas públicas nessa área, as práticas realizadas pelos alunos da UEPB e o futuro da profissão. “Nosso objetivo é publicizar o que estamos realizando de pesquisa nesse campo e quais as contribuições dessas pesquisas. Esse é um momento de pensarmos um pouco a Saúde a partir do olhar da Psicologia Social” destacou.

A Psicologia Social procura estudar o indivíduo em sua interação constante, procurando analisar os fenômenos que ocasionam o sofrimento, felicidade e outros aspectos. “Na interação social a gente procura produzir conhecimento e práticas. Partimos do pressuposto de que o indivíduo também pode transformar a sua realidade”, observou a professora Sibelle.

Coordenadora do curso, a professora Ana Cristina destacou a importância da Psicologia Social para a formação do psicólogo. Ela observou que os professores do curso entendem que a formação do alumo não se constitui como uma formação restrita aos componentes curriculares, mas precisa ser ampla, completa e transcender o ambiente de sala de aula.

Mesa redonda aborda loucura, razão, cultura, parto e crenças

A primeira mesa redonda foi centrada nos temas “A loucura em movimento”, “Razão e Cultura: crenças no campo da saúde”, “O parto do SUS: representações sociais de puérperas, familiares e profissionais de saúde”. A mesa teve como debatedoras as professoras Maria de Fátima de Souza Santos, do programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Renata Lira dos Santos Aléssio, também da UFPE, e Sibelle Maria Martins da UEPB.

Primeira a falar, a professora Maria de Fátima de Souza discorreu sobre o tema da loucura a partir do olhar da imprensa. Antes de abordar o assunto ela procurou fazer uma contextualização histórica e política que favoreceram a reforma psiquiátrica. Citou a Ditadura Militar iniciada em 1964, a censura, a anistia dos presos políticos, até o advento da Constituição de 1988. A ideia foi realizar um trabalho de representações sociais a partir de matérias veiculadas na imprensa brasileira sobre o tema.

Para realizar a sua pesquisa a professora tomou como fonte o Jornal Folha de São Paulo, que publicou entre 2010 a 2015 mas de seis mil matérias abordando o tema. Segundo apontou, a pesquisa com o tema “loucura” foi tratado de diferentes formas por segmentos da imprensa brasileira, após a reforma psiquiátrica. “A loucura é um tema polêmico e marcado por mudanças ao longo da história” destacou.

Ao fazer uma abordagem sobre as concepções de conceitos de crenças na Psicologia, a professora Renata Lira dos Santos Aléssio, relatou que os psicólogos têm trabalhado esse tema. A especialista procurou desmistificar a ideia de que as crenças, muitas delas, diferentes das defendidas pelos profissionais de Saúde, podem atrapalhar no tratamento dos pacientes. Ela afirmou que é possível para os profissionais da área trabalharem um tema tão distante do universo comum, havendo convergência entre os dois campos. “Essas crenças são concebidas como sendo crenças que atrapalham. Mas não é bem assim. Elas podem ajudar e muito se forem bem incluídas no tratamento” afirmou.

As atividades abertas ao público prosseguiram à tarde com as rodas de conversas “Experiências em movimentos sociais na Paraíba: discutindo premissas de intervenção”; coordenada pelo professor Leconte de Lisle Coelho; e “Humanização dos cuidados em saúde”; coordenada pelas professoras Jurcileia Medeiros, Danila Aciole e Vanessa Pequeno do Mestrandas do PPGPS. À tarde também aconteceu a oficina “Potências e processos inventivos: o uso do teatro do oprimido como estratégia para a promoção da saúde e ética do cuidado”, ministrada pelas professoras Jullyane Rocha, Lisandra Souza e Elizama Melo, todas mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da UEPB.

O evento continua nesta quinta-feira com a mesa redonda “Práticas em Psicologia Social”, com o professor Genaro Ieno Neto, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), além das rodas de conversa e oficinas.

Texto: Severino Lopes
Fotos: Edvânia Barbosa

 

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